E se à sombra da ignorância vier:
a opressão e a tirania,
Farei de ti Poesia,
uma espada dura e fria
de lutar...
de cortar
esse mal esse mal pela raiz
até que a luz da liberdade
brilhe outra vez no meu pais.
Quando o medo quiser calar
a voz que ousa perguntar,
farei de ti poesia,
um grito solto a ecoar.
a ecoar...
Quando a verdade for ferida
e a mentira ocupar seu lugar,
farei de ti poesia,
um farol que ilumina e guia
e não se possa apagar.
E se a noite se fizer longa,
sonde o silêncio impõe a lei,
farei de ti poesia a flecha
que rompe o véu do rei.
Não por glória, não por nome
mas por causa de nunca esquecer
que o verbo também é arma,
e o poeta deve o saber.
Quando apodrecer a semente
na terra que não quer dar fruto,
farei de ti poesia:
o suor, o passo bruto.
E mesmo que doa o canto,
mesmo que me doa o chão,
farei de ti poesia
a bandeira que seca o pranto
com revolução em cada mão.
Pois se a ignorância toma o trono,
a poesia é degrau
para um livro que ensina:
ninguém nasce escravo ou mau.
Teço versos como lanças,
mas também teço perdão:
para a pátria que acredito
nascer da imaginação.