20 novembro 2013

A era da magia

Vivemos numa era extraordinária, em que a mudança na nossa envolvente, muito acelerada  para o nosso ritmo biológico, ultrapassa os limites da imaginação do comum dos mortais.
A tecnologia consegue feitos que ainda há muito pouco tempo apenas faziam parte do nosso imaginário infantil, como o "Abre-te Sésamo!" da estória de "Ali Baba e os 40 ladrões"

A terceira Lei de Clarke postula que; " Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia."

Então temos de saber o que é isso de magia, que para a maioria das pessoas se relaciona com ilusionismo. Primeiramente tem de se definir o que se deve entender por "MAGIA". Isto não é fácil, como se pode ver numa rápida pesquisa pela Internet.  Cito a título de exemplo a  definição dada na Wikipedia consultada em 20/11/2013:
"Magia (não confundir com mágica ou truque) antigamente chamada de Grande Ciência Sagrada pelos Magos, é uma forma de ocultismo que estuda os segredos da natureza e a sua relação com o homem, criando assim um conjunto de teorias e práticas que visam ao desenvolvimento integral das faculdades internas espirituais e ocultas do Homem, até que este tenha o domínio total sobre si mesmo e sobre a natureza. A magia tem características ritualísticas e cerimoniais que visam entrar em contato com os aspectos ocultos do Universo e da Divindade. A etimologia da palavra Magia, provém da Língua Persa, magus ou magi, que significa sábio. Da palavra "magi" também surgiram outras tais como "magister", "magista", "magistério", "magistral", "magno", etc. Também pode significar algo que exerce fascínio, num sentido moderno, como por exemplo quando se fala da magia do cinema."

Entendo que na definição de magia não devemos associar conceitos ligados ao ocultismo ou à religiosidade, mas apenas conceitos estabelecidos pelo conhecimento científico.

Na procura de uma definição objetiva de magia em primeiro lugar temos de lhe definir o âmbito:
 - A magia aplica-se apenas a sistemas cibernéticos, ou seja sistemas constituídos por elementos materiais ( matéria e energia) e por informação atuante ou instrutiva (1).

Chamo aos sistemas cibernéticos: sistemas projetivos - aqueles que realizam um fim (em linguagem popular quer dizer que cumprem um objetivo ou realizem um projeto). Em contrapartida existem sistemas que não executam um desígnio e evoluem apenas obedecendo às leis do caso e da necessidade: são os sistemas objetivos . A ciência ortodoxa (o mainstream) postula que o Universo em si é um sistema objetivo. A maioria das religiões considera o Universo como um sistema projetivo, que realiza o projeto de um criador ou criadores.

Definição de ação mágica.
Uma ação mágica é uma ação que manipulando uma quantidade ínfima de energia e uma quantidade elementar de informação, faz com que o sistema alvo dessa ação modifique radicalmente o seu estado energético e ou estado organizacional internos.
Como exemplo pode-se apesentar a manipulação de um elevador: quando alguém entra no edifício e chama (tocando no sensor) oW3 elevador que está num andar superior, este desce e abre a porta quando chega  ao piso do chamador.
A quantidade de energia gasta pelo gesto de chamar é ínfima e a quantidade de informação alterada é elementar (1 bit ) pois detetar pessoa é 1 e não detetar é zero.
Contudo, apesar de lhe ser alterada uma quantidade ínfima de energia e informação, o estado energético do sistema eletromecânico do elevador teve uma mudança muitas ordens de grandeza maiores do que a energia envolvida na ação que deu origem a essa mudança.
Outro exemplo comum do dia a dia do homem ocidental é a manipulação de sistemas informáticos. Imagine-se o ligar ou desligar de um computador moderno: um só toque no botão de ligar ou desligar modifica o estado energético da máquina e modifica a sua estrutura organizacional, considerando incluídos os sistemas de processadores, controladores e memória.

Tendo em conta o que se disse anteriormente pode-se definir MAGIA como sendo:
" a ciência que estuda a relação entre o HOMEM e os sistemas naturais ou artificiais projetivos , criando um conjunto de teorias e tecnologias práticas, que visam em último fim proporcionar o controlo total do homem sobre todos os sistemas projetivos com que interaja, ou seja, o controlo sobre si mesmo, sobre os outros seres vivos e sobre a restante natureza no que ela for um sistema projetivo." 

Em relação às possibilidades atuais das ações mágicas recomendo vivamente a visualização desta conferência de Pranav Mistry: "a tecnologia do sexto sentido" dada no âmbito das conferências TED  (2)

2 - Conferencias TED
As conferencias TED (Tecnología, Entretenimento e Desenho) têm como finalidade a promoção de ideias que merecem ser difundidas (Ideas worth spreading). São organizadas anualmente pela Fundação Spalding.
 Através das conferências TED fomenta-se a difusão de ideias visionárias de pensadores, visionarios, líderes, inovadores, cientistas ou académicos que conseguiram distinguir-se no respetivo campo de saber.
Com esta difusão dá-se a possibilidade a muitas pessoas de ter acesso a ideias excelentes inteirando-se ao mesmo tempo dos grandes desafios que o mundo enfrenta. Nas conferências TED apresentam-se ideias em diversos campos de ciência tecnologia da educação da cultura do meio ambiente , etc que promovem a reflexão desafiam e motivam a uma mudança de atitude
 
1  - Informação atuante ou instrutiva
Informação atuante é a informação que quando processada por organismos adequados lhes permite controlar ou definir o seu funcionamento. Em linguagem popular podemos dizer que informação atuante é uma “receita” para que “máquinas” adequadas desempenhem uma tarefa específica, como por exemplo: fabricar coisas, reproduzir-se etc.
 

20 setembro 2013

Uma visão pós marxista da teoria do valor 12


Desenvolvimento económico e crescimento ou decrescimento sustentáveis

As opções de política global ou das políticas de cada país, obrigam sempre debater a questão do desenvolvimento económico e do progresso das sociedades.
Os debates em torno dessa questão nos últimos 300 anos e em particular durante o século XX e neste início do sec. XXI preencheram e ainda ocupam um lugar central nas agendas das organizações cívicas e políticas, das universidades, da comunicação social e das redes sociais.
As instituições internacionais, os governos nacionais, as organizações patronais e as organizações dos trabalhadores, a par de movimentos sociais ativistas, procuram novos paradigmas e novas fórmulas, para fazer face aos problemas económicos, sociais e ambientais do mundo contemporâneo e aos desafios que se vislumbram para o futuro próximo.
Da globalidade dos debates, das publicações e das decisões políticas e empresariais a fórmula comum - o desenvolvimento - aparece retratado nos mais diversos ângulos:
  • Humano,
  • Económico,
  • Social,
  • Cultural,
  • Local,
  • Regional,
  • Urbano,
  • Rural,
  • …...
Contudo é apresentado maioritariamente com duas propriedades muito na moda: participativo e sustentável, que têm de fazer parte do léxico de quem quiser estar incluído no “main stream”. ( anglicismo para designar aqueles que gostam de fazer parte do rebanho)

Deve-se considerar o conceito de desenvolvimento, como um conceito em permanente reconstrução, evoluindo paralelamente às mudanças de conhecimento e tecnologia, na sociedade . Por essa razão será sempre um conceito gerador de disputas, conflitos e diferentes definições, de acordo com a diversidade das escolas de pensamento.

É considerada uma verdad apriorística indiscutível, que a sociedade humana está a mudar de forma profunda e acelerada, tornando as velhas concepções e organizações rapidamente obsoletas e inadequadas às novas condições do mundo. 
Esta aceleração na mudança já era constatada na época do Renascimento.
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança... “
- Luís Vaz de Camões, séc. XVI -

Esta mudança na sociedade traz consigo a redefinição ou a substituição de conceitos, que ainda eram válidos num passado recente.
É à luz desta mudança constatada, que se vai estudar a relação entre desenvolvimento e uma visão pós marxista da Teoria do Valor.
Procurarei relacionar o desenvolvimento com o crescimento económico e explicar a evolução provável da sociedade baseada na Teoria do Valor.

Desenvolvimento e crescimento económico

Apesar de remontar ao período clássico da economia política Sec. XVIII e Sec. XIX, o debate sobre desenvolvimento e crescimento económico, reapareceu em força no início da década de 1950, no contexto do pós II Guerra Mundial, quando era preciso recuperar da devastação económica e social provocada pelos combates nos países beligerantes e das consequências provocadas na economia global.
A constatação de que eram muito diferentes os recursos materiais, usados pelos habitantes médios das diversas nações e regiões levou à classificação dos países em:
  • atrasados – aqueles que usavam muito menos recursos do que a média dos países norte-ocidentais
  • em vias de desenvolvimento – aqueles que embora usando menos recursos do que a média dos países norte-ocidentais, estavam com desenvolvimento positivo
  • desenvolvidos - aqueles que usavam recursos dentro de valores próximos da média dos países norte-ocidentais
  • líderes de desenvolvimento - os países em que simultâneamente o uso de recursos pelo habitante médio era muito superior à média norte-ocidental, o desenvolvimento era mais elevado e o nível de industrialização era maior .
Esta classificação refletia grosso modo, o nível de bem estar social, o nível da eficiência governativa, em todas as suas vertentes e o nível de industrialização de cada país.
O objetivo dessa época era revitalizar a economia e aumentar o desenvolvimento. Para isso foi desenvolvida a ideia que defendia o crescimento económico baseado no aumento do uso dos recursos materiais, como meio de recuperar o atraso.
Foi a época áurea das políticas intervencionistas dos estados nas economias – a época da expansão do Keynesianismo no mundo ocidental do norte e da expansão do socialismo no mundo oriental do norte. Os resultados obtidos a médio e longo prazo, por comparação dos mesmos parâmetros nas duas regiões, levam a concluir que em quase todos os países o método Keynesiano deu maior desenvolvimento do que o método socialista, com iguais pontos de partida. 
Apenas em três parâmetros o método socialista se revelou mais eficaz: o pleno emprego; a diminuição das assimetrias de rendimento e a massificação do uso de recursos da educação, da arte e da cultura.
Na época que mediou entre 1950 e 1986, o modelos implícitos da chamada “sociedade moderna” (socialismo marxista e capitalismo keynesiano só poderiam ser alcançados se os países “atrasados” seguissem certas estratégias de mudança social e económica, pré-concebidas por cada uma das escolas. 
No fundo, esperava-se que os países subdesenvolvidos seguissem os modelos dos países industrializados.
“O progresso através da escala de desenvolvimento era medido, julgado e avaliado por uma nova casta de especialistas internacionais. 
Os países eram classificados de acordo com seu desempenho, como atletas numa pista, orientando a distribuição ou suspensão dos recursos das agências internacionais de financiamento e ajuda”. (Stavenhagen, 1985:12).

O aparecimento das críticas
As críticas a esse conceito de desenvolvimento e aos dois modelos seguidos começaram a surgir na década de 1970, lideradas pelas escolas pós-modernistas e apoiadas quase incondicionalmente pela onda de movimentos sociais emergentes como os ecologistas.
A constatação dos efeitos ambientais provocados pela industrialização e consumo de combustíveis “fósseis”, elevou o clamor das críticas a tal ponto que hoje alguns autores propõem que para manter a sustentabilidade da civilização, o modelo não deve ser de crescimento sustentável mas de decrescimento sustentável. Estas escolas defendem que se atingiu um nível de consumo de recursos que compromete a continuidade da civilização e põe mesmo em causa a sobrevivência da maioria das espécies vivas
O francês Serge Latouche é um desses autores que tece ferozes críticas à ideia de desenvolvimento do “main stream”, afirmando que se trata de um conceito sem significado, vazio de conteúdo e mesmo “fetiche” . Este autor usa o “slogan” do decrescimento(1), como contraponto à rigidez economicista do conceito de desenvolvimento, procurando criar (sic)“... uma proposta necessária para reabrir os espaços da criatividade bloqueados pelo totalitarismo economicista, desenvolvimentista e progressista”. (Latouche, 2004).
O radicalismo das posições de Latouche assumido nas suas críticas é consubstanciado numa proposta de uma forma de decrescimento para a sociedade, com o objetivo de ser abandonado o dogmatismo da “vertente económica” do desenvolvimento enquanto “fé e religião”.
Em minha opinião a posição radical deste autor e dos seus seguidores, não se adequa ao mundo em que vivemos e apresenta uma visão muito parcial do desenvolvimento do mesmo modo que fazem os adeptos da visão economicista que tanto critica. Além disso ignora as relações que, bem ou mal, estão estabelecidas entre as várias esferas da sociedade.
A simples constatação que o modo de produção capitalista pressupõe para a sua continuidade um crescimento económico infinito, que potencialmente provoca a exaustão a destruição de recursos naturais e concentração da riqueza em poucos elementos da sociedade, não nos deve levar à conclusão de que a salvação da civilização está no abandono completo da concepção de desenvolvimento como meta.
Qual será o significado de desenvolvimento?
Há também estudiosos que defendem que o conceito de desenvolvimento em si mesmo, carrega implicações de juízos de valor com uma carga emocional forte, para os quais ainda ninguém encontrou uma substituição adequada. Se o desenvolvimento significa mudança, evolução, crescimento e transformação social, colocam então as seguintes interrogações sobre o seu real significado:
  • desenvolvimento de onde para onde?
  • de quê para quê?
  • de pequeno a grande?
  • de atrasado a adiantado?
  • de simples a complexo?
  • de jovem a velho?
  • de estático a dinâmico?
  • de tradicional a moderno?
  • de pobre a rico?
  • de inferior a superior?”
    Stavenhagen, 1985:12.
    A argumentação mais frequente no “main stream” da economia é que o desenvolvimento só pode ser suportado e justificado pelo crescimento económico.
    “ Na verdade, a tendência para demonstrar com números os resultados do desenvolvimento é a norma no plano político, facilmente se associando desenvolvimento com crescimento económico, argumentando-se que tal seria capaz de reduzir a pobreza e as desigualdades reforçando a coesão social ...”. João Pinto 01-02-2007 http://desenvolve.blogspot.pt
O que nos mostra a Teoria do valor pós marxista sobre desenvolvimento crescimento e decrescimento sustentável?


Definições

Desenvolvimento
Taxa de variação temporal do uso de recursos:
  • materiais (energia, matéria e objetos - “hardware”)
  • não materiais ou “espirituais” (informação organizada – dados; informação atuante ou instrutiva – programas - “software”; 
  •  “serviços” - prestados por seres humanos ou outros seres deles dependentes)
Se a taxa é positiva temos crescimento ou progresso se a taxa é negativa temos decrescimento ou retrocesso e se é nula temos estagnação
Esta taxa pode ser considerada relativa à sociedade como um todo, à média por habitante ou ao habitante médio (aquele pertencente ao grupo mais numeroso de uma sociedade).
Para o âmbito do presente estudo consideramos o desenvolvimento de uma sociedade relacionado com o habitante médio.

Teoria do valor pós-marxista
Teoria exposta neste blogue que pretende explicar o funcionamento económico das sociedades, considerando o tempo de trabalho total socialmente necessário na fases de produção e distribuição do circuito económico, como o parâmetro determinante (mas não único) desse mesmo funcionamento, com uma formulação diferente da usada pela escola clássica de economia (em particular da marxista).

Continua ….

Referências

http://www.decroissance.org
http://www.decroissance.info
http://www.degrowth.net
http://decrescimentosustentavel.blogspot.pt/
http://desenvolve.blogspot.pt

LATOUCHE, S. O Sul e o ordinário etnocentrismo do desenvolvimento. Le Monde Diplomatique (Ed. Brasileira). Ano 5, n. 58, Nov., 2004. LATOUCHE, S. (2004a). Survivre au développement. De la décolonisation de l’imaginaire économique à la construction d’une société
alternative. Paris: Mille et Une Nuits.
STAVENHAGEN, R. (1985).
Etnodesenvolvimento: uma dimensão ignorada no pensamento desenvolvimentista. Anuário Antropológico, No 84, p. 11-44.

Nota (1)
Para Latouche decrescimento não chega a ser considerado um conceito no sentido tradicional do termo pelo que não é caso considerar-se a existência de uma “teoria do decrescimento”. Segundo ele, decrescimento é simplesmente um slogan lançado por aqueles que procedem a uma crítica radical do desenvolvimento. Para um aprofundamento da questão ver Latouche (2004a).

Uma visão pós marxista da teoria do valor 11


Os problemas fundamentais da economia

Os problemas fundamentais da economia atual enquanto ciência ou pelo menos conhecimento organizado, são explicar o funcionamento da sociedade mercantil de modo de produção capitalista 1 e dar orientações de atuação , (já que esta ciência não permite dar tecnologia):
1 – Sobre o funcionamento da sociedade humana atual em termos de “economia” , ou seja:
  • Os circuitos da circulação de bens e serviços desde a produção até à distribuição e consumo.
  • O conceito de valor e os mecanismos da sua criação e acumulação no tempo ao longo dos circuitos de circulação dos bens e serviços.
  • Os mecanismos de formação dos preços das mercadorias ao longo do circuito de circulação dos bens e serviços.
  • O dinheiro na economia e na sociedade
2 – Sobre a concentração do poder económico
3 – Sobre a repartição do rendimento e a formação dos salários
4 – Sobre as perturbações da atividade económica como a crise e a inflação
5 – Sobre o desenvolvimento económico e riqueza das nações
6 -:E ainda fazer previsões ou extrapolações para outros tipos de modo de produção possíveis em cenários futuros, sem deixar de explicar razoavelmente o passado.

Muito se escreveu sobre este tema nos últimos 2500 anos. Das dissertações dos estudiosos dos últimos duzentos anos nasceram vários ISMOS que ao longo dos tempos tentaram impor à sociedade uma organização baseada nas suas crenças, que foram quase sempre de caráter messiânico e pouco científico, por muito que os seus mentores e seguidores tivessem apregoado o contrário.
As escolas de pensamento económico sucederam-se , e depois de 1969 os prémios em memória de Alfred Nobel da economia foram todos os anos atribuídos, sem que os economistas, titulares do conhecimento acumulado neste campo, tenham conseguido responder aos cinco problemas enumerados, de modo ajustado a cada época.
E, muito menos lançar sequer a primeira pedra, para estender os conceitos para outros modos de produção ou organização económica da sociedade, teoricamente possíveis.
Em particular as perturbações da atividade económica como a inflação e a crise continuam a criar dramas sociais e a causar debates acesos entre os economistas e entre governantes e governados, sem que se vislumbre uma solução técnica para tais “avarias” da economia.
A emergência climática, e o esgotamentos de recursos, e os desastres causados pelos fenómenos extremos, levanta a premente necessidade, de um novo modelo de organização socioeconómica, com novos objetivos, sob pena sofrermos a 6ª extinção em massa planetária, que garantidamente será também a extinção da espécie humana.
Só que os economistas atuais não conseguem dar respostas

Pergunto então, para que servem os economistas?

Nos capítulos seguintes deste ensaio procurarei dar a minha resposta fora do pensamento das correntes dominantes entre os economistas (as do “main stream atual” e as “outsiders” atuais, candidatas a entrar na corrente principal, recolhendo todo o saber que se mostre útil independentemente da “escola” de onde vier.

_________________________________________________________

  O modo de produção capitalista
Uma sociedade com modo de produção capitalista, carateriza-se principalmente por três  propriedades básicas:
  • Economia de mercado – a produção é diferente do consumo, podendo ser igual, maior, ou menor do que este, num dado intervalo de tempo. A quantidade produzida e consumida nesse intervalo de tempo não é determinada por planeamento, mas por um sistema generalizado de leilões entre produtores e consumidores (oferta e procura) – o mercado.
  • Acumulação capitalista - os recursos de capital, representando trabalho indireto - Ti, intervenientes no processo de produção crescem no tempo aumentando proporcionalmente à média do fator de escassez ou coeficiente de oferta e procura - Op,  e da produtividade (TD+Ti)/TD no intervalo considerado, multiplicada pelo número de ciclos produção - consumo no mesmo intervalo.
  • Propriedade privada particular ou estatal do capital.
O crescimento do capital consegue fazer-se porque na sociedade com esse modo de produção existe uma capacidade produtiva global superior à capacidade global de consumo, porque este é limitado pelo poder econômico dos consumidores.
Se considerarmos  a seguinte fórmula como uma aproximação razoável para o cálculo da formação  dos preços : 
Caq (custo de aquisição)= (Td +bTi)/Td , Op+Fm+L+Ra
em que: Td é o trabalho direto; Ti é o trabalho indireto; Op é o fator de escassez, dependente da oferta e procura e Fm é o fator de monopólio; L - é o lucro da cadeia de produção e distribuição; Ra- é a comparticipação nos custos da Reconstrução ambiental ou apagamento da pégada ecológica. Sobre esta fórmula ver : http://penanet.blogspot.pt/2011/10/reposicao-das-condicoes-iniciais-e.html
 
Esse crescimento faz-se por três vias:
  • Apropriação do valor acrescentado  + Lucro gerado mercantilmente, por uma classe (a dos detentores do capital), que não o gasta todo com o seu consumo, disponibilizando o excedente material em bens e serviços, como trabalho indireto - Ti do ciclo seguinte (investimento)
  • Inserção no processo de produção, das conquistas tecnológicas que incorporam  mais trabalho indireto - Ti sob a forma de máquinas com mais automatismo e informação instrutiva – (aquela informação que devidamente processada por um sistema permite fazer coisas ou prestar serviços.)  Ou seja , pelo aumento da produtividade.
  • Utilizando numa fase do processo produtivo, créditos sob a forma de símbolos de valor (papel moeda ou outros) , gerados numa fase anterior do mesmo processo produtivo ou numa fase atual ou anterior de outro processo produtivo. (investimento)
O crescimento atrás relatado, significa no fundo, a incorporação de mais trabalho indireto – Ti, no processo produtivo quer seja por aumento da produtividade, quer seja por investimento .

11 julho 2013

Uma visao pós marxista da teoria do valor 10


A função social do lucro: a função do predador empreendedor.

Segundo a sabedoria popular

“Três coisas quer o amo, do escravo que o serve:
  • Comer pouco
  • Trabalhar muito
  • Ter sempre a cara alegre “
Apesar de esta ideia ter sido gerada em ambiente de produção não capitalista, tempo da escravatura ou tempo de feudalismo, parece ser muito cara a uma grande proporção da classe capitalista atual.
Esta falta de humanidade da classe capitalista (detentora do capital ) para com as classes trabalhadoras (detentoras da força de trabalho, que  a cedem ao capitalista pelo tempo contratualizado),  levou Marx e a escola económica marxista a propor que o novo Messias para salvar o mundo seria a classe operária, que a sua Bíblia o Manifesto do Partido Comunista, a doutrina pregada seria o Socialismo e que o céu seria o Comunismo

Tudo isto derivado das considerações que escreveu principalmente na sua obra “O Capital”. E assim nasceu mais um ISMO de tipo religioso, justificado pelas crenças na validade do determinismo da História (crença essa, baseada na fé e não na evidência experimental).

O problema é que a evolução da vida e dos seus organismos e organizações, não é de modo nenhum determinística e, muito menos, obedece ao simplismo da Lógica  Dialética de Hegel. É antes probabilística, isto é, baseada em leis de acaso e de necessidade, leis de conservação e leis de evolução ou mudança que integram algum grau de aleatoriedade ou incerteza e, por isso, exigem que estes organismos tenham capacidade capacidade de adaptação às rincões das condições externas ou internas, afetadas pela citada alratoriedade, sob pena de se desintegrarem.
A sociedade humana é um sistema complexo teleonómico. Ou seja, é um sistema que persegue objetivos (sendo os principais a considerar neste estudo a homeostase - "equilibrio" e o crescimento).
A teoria que ,atualmente, descreve melhor as atividades sociais humanas, incluindo a atividade económica é a Teoria Geral dos Sistemas Complexos.
 O resultado do erro do marxismo  de basear as conclusões em premissas e lógica inadequadas, foi o que se viu, nos países que se reclamavam de socialistas e, por contrapartida, também, atualmente, nos países chamados de capitalistas que tentaram aplicar soluções suavizadas da doutrina marxista.

A evolução coletiva dos organismos vivos, e das suas organizações é um processo de acumulação de informação atuante 1, ( ou instruções) crescente com o tempo, que nas organizações, se processa segundo as regras da seleção natural, primeiramente descritas na 5ª teoria de Darwin – a teoria da seleção natural, para as espécies vivas.
 Atualmente aprofundou-se o estudo dos mecanismos de seleção natural, entendida agora, como capacidade de auto-organizaçao dos sistemas materiais, estendendo-a outros campos, além dos organismos vivos e das sociedades. 
Descobriu-se que a lei geral que afeta todos os seres do universo é a lei da seleção por aptidão para a função que governa toda as formas de auto organização da matéria.
E, desde que um sistema material: 
- seja complexo; 
- possua teleonomia;
- seja capaz de usar as duas vias de controlo dos seus efeitos (feedback ou realimentação e feedforward alimentação previsional ou preventiva); 
- tenha incluída a função de memória, em pelo menos uma, (ou nas duas) vias, tem a capacidade de aprender com a experiência .
No feedback o sistema combina as entradas externas com uma entrada interna resultante da comparação da saída obtida com uma de referência, ou seja, o sinal de erro.
No feedforward o sistema ajusta  alguns dos seus  parâmetros internos como por exemplo a sensibilidade à entrada ou entradas em funçao do valor dessa mesma entrada ou entradas, ou altera o modo como combina as entradas em função do valor dessas mesmas entradas.
Esta capacidade memorização da melhor sequência ou aprender com a experiência, confere-lhe uma vantagem sobre os  competidores, economizando tempo necessário para atingir o destino desejado, porque lhe permite saltar etapas de experimentação ( experiência dos outros ou de tempo de trabalho anterior é de graça, na atualidade) .
Essa vantagem pode ser quantificada pelo racio (tempo atual +tempo memorizado) / tempo atual.
Chamamos a essa vantagem produtividade. 
Pode-se afirmar que a capacidade de aprender, aumenta a produtividade  de um sistema. material, de um ser vivo individual ou de uma organização social.
Contudo, a forma mais frequente que os seres vivos têm de conseguir utilizar o tempo dos outros, não é aprender com eles ou utilizar os ensinamentos alheios, É sim, apropriar-sr-se do produto do trabalho dos outros: seja pela força (roubo); seja pela astúcia (furto); ou ainda,  por apropriação regular,  com regras livremente contratualizadas - negócio; ou regras impostas socialmente- exploração.
O negócio pode ser feito entre seres equipotentes ou que tenham indêntica necessidade um do outro para a sua sobrevivência e nesse caso denomina-se Cooperação ou Simbiose; ou então pode ser feito entre seres em que um tem mais necessidade do que o outro (ou menos força negocial) e aceita dispender mais tempo a satisfazer a necessidade do outro do que o que utilizado  para ver satisfeita a sua parte. A essa diferença chamamos Lucro, que os ideólogos do liberalismo clássico ou do neoliberalismo atual consideram que o lucro é a remuneração provisional para assumção do risco do capitalista no investimento. 

Marx chamou mais valia ao "Lucro" obtido pelo capitalista no processo de pagamento do trabalho operário. 
Além disso considerou imoral  e socialmente desnecessária, a sua apropriação pelo capitalista.
A apropriação da mais valia e por conseguinte do lucro pela classe capitalista foi considerada pelas escolas marxistas do sec IXX e XX, como pecado original do modo de produção capitalista. Mais tarde, no último terço da duração do socialismo, imposto pelos Partidos Comunistas, nos países da esfera da URSS, a escola dominante já admitia a existência do lucro, desde que apropriado pelo estado, Porém, era considerado um mal, a ser expurgado, num futuro sistema comunista.
À luz da visão pós-marxista da teoria do valor, o lucro não será analisado em função de condições morais estabelecidas “a priori”, mas será devidamente enquadrado no funcionamento económico da sociedade.

Como já demonstrei noutros artigos, o lucro é diretamente derivado da escassez. Ou seja, da relação entre a oferta e a procura. o fatorOp (Lei da Oferta Procura), A mais valia ou (a menos valia) que aparece obrigatoriamente nas transações ou vendas, numa economia do tipo mercantil, (economia em que a satisfação das necessidades de consumo, se realiza em leilão ou barganha, no mercdo), em que a produção pode ser inferior igual ou superior à procura. 
Também se viu que o valor de transação das mercadorias (bens e serviços) inclui várias pacelas tendo sido proposta como fórmula geral do custo ou preço de aquisição

Caq=(Td+Ti)*Op/Td+Fm+Ra+ L

em que :

  • Td – é o tempo de trabalho direto
  • Ti – é o tempo de trabalho indireto ( pasado ou não remunerado)
  • Op – é o fator de escassez ou relação entre a oferta e a procura pela Lei da Oferta e da Procura
  • Fm – é o fator de monopólio 
  • Também se demonstrou que Fm é a medida da ineficiência e desperdício de tempo e recursos, que aparece em condições de monopólio , por falta de competição, de incentivo à inovação e pela lei do menor esforço na resistência à mudança. 
  • Em monopólio, especialmente nos de longa duração, as pessoas e as organizações tendem a tornar-se reacionárias com uma intensidade diretamente proporcional à duração da situação de onopolio
  • Ra - é o custo da reconstrução ambiental, ou compensação da pegada ambiental pela produção e consumo dos bens e serviços transacionados, que os economistas clássicos e muitos dos atuais empurram para dívida de suporte social, a ser paga pela futuras geraçoes.
  • - L  é o lucro, que é diferença entre oo preço de custo e o preço de venda em mercado.

Mais Valia ou Lucro

E o fator Op será também como dizem os marxistas um desperdício ou um roubo, que os detentores do capital fazem aos produtores diretos, que são obrigados, por um contrato social injusto, a vender a sua força de trabalho, a um valor inferior ao real? 
Servirá apenas para alimentar os “inúteis” dos capitalistas, incluindo todo o seu estado de classe?

A resposta a estas perguntas permitir-nos-á compreender os erros das escolas clássicas: marxistas e liberais e realinhar o estudo da economia com o método científico. 
Deste modo a nova visão da teoria do valor poderá interpretar e prever o funcionamento da economia na sociedade real.

O modo de produção capitalista

Uma sociedade com modo de produção capitalista, carateriza-se por duas propriedades básicas comuns e uma terceira diferente conforme os detentores do capital são particulares vulgarmente chamados "privados", ou são órgãos do estado, vulgarmente chamadas "públicos".
Propriedades comuns:
1- Economia de mercado – a produção é diferente do consumo, podendo ser igual, maior, ou menor do que este, num dado intervalo de tempo. A quantidade produzida e consumida nesse intervalo de tempo não é determinada por planeamento, mas por um sistema generalizado de leilões entre produtores e consumidores (oferta e procura) – o mercado.
2- Acumulação capitalista - os recursos de capital, representando trabalho indireto Ti, intervenientes no processo de produção, crescem no tempo aumentando proporcionalmente à média de Op, no intervalo considerado, multiplicada pelo número de ciclos de produção - consumo no mesmo intervalo. 
3 - Propiedade do capital, com três opções: 
a)- Capital acionista detido e gerido na totalidade por particulares.
b) - Capital acionista, detido e gerido, na totalidade por órgãos do estado.
c) - Capital misto detido e gerido por conjuntamente por particulares e órgãos do estado
4 - Abertura do capital
a) capital fechado ou privado (sociedade por quotas nominais)
b) capital aberto negociável em mercado ou capital público. 
(sociedade anónima ou sociedade por acções)
Há ainda  possiblidade teórica de outros tipos de propriedade e/ou gestão do capital que não têm expressão numérica ou económica de relevo no modo de produção  capitalista atual.

O crescimento do capital consegue fazer-se porque na sociedade com esse modo de produção existe uma capacidade produtiva global superior à capacidade global de consumo, por este ser limitado, não pela vontade individual dos seres humanos, mas pelas regras do funcionamento social, baseado no modo de troca em mercado através de um símbolo de equivalencia (token) entre mercadorias : - o dinheiro e, ainda, na propriedade privada do capital.

Esse crescimento faz-se por três vias:
  • Apropriação da mais valia ( Op) gerada mercantilmente, por uma classe (a dos detentores do capital), que não a gasta toda com o seu consumo, disponibilizando o excedente material em bens e serviços, como trabalho indireto - Ti do ciclo seguinte (investimento)
  • Inserção no processo de produção, das conquistas tecnológicas que incorporam Ti sob a forma de máquinas com mais automatismo.
  • Utilizando numa fase do processo produtivo, créditos sob a forma de símbolos de valor (papel moeda ou outros) , gerados numa fase anterior do mesmo processo produtivo ou numa fase atual ou anterior de outro processo produtivo. (investimento)
O crescimento atrás relatado, significa no fundo, a incorporação de mais trabalho indireto – Ti, no processo produtivo quer seja por aumento da produtividade, quer seja por investimento .

Como cresce a quantidade de bens e serviços produzidos numa sociedade

A quantidade de bens e serviços produzida por uma dada sociedade, quando expressa em símbolos de valor – papel moeda, costuma designar-se por Produto Interno Bruto. Quando subtraida dos gastos de depreciação do capital e dos impostos indiretos  (ficando portanto a parte restante praticamente igual aos salários) e  depois dividida pelo número de elementos da sociedade designa-se habitualmente por rendimento per capita.

O PIB está dependente da demografia e da produtividade, enquanto o rendimento per capita está dependente da produtividade e da taxa de partilha de rendimentos entre detentores do capital e detentores da força de trabalho. Quanto mais pessoas existirem e mais produtivas forem, maior é o PIB de uma sociedade.

Em termos de teoria do valor, o PIB cresce proporcionalmente ao Tempo de Trabalho Direto (Td) e ao Tempo de Trabalho indireto ( Ti ), no qual Td está claramente relacionado com a quantidade de produtores ativos, ou seja com a população e Ti está fortemente dependente do desenvolvimento cientifico-técnico, ou seja taxa de automatização (utilização e controlo automáticos dos recursos energia, de informação e de materiais).

A riqueza de uma sociedade

Se o valor comercial ou de transação tem parcelas que na fórmula são consideradas independentes, aumentando os fatores Op e Fm isso não faria aumentar o PIB ou o rendimento per capita ? 
Poderemos considerar uma sociedade mais rica quando tem maior rendimento per capita ou maior PIB?
A resposta a estas perguntas obriga-nos a definir de forma precisa o conceito de riqueza.

Para o âmbito deste estudo considera-se como riqueza, a disponibilidade de bens e serviços para consumo direto dos elementos dessa sociedade ou seja para consumo social interno.

Assim, o fator de Lucro (Op) (Mais Valia comercial), representa um valor disponível para consumo social, portanto faz parte da riqueza, enquanto o Fator de Monopólio Fm representa um valor interno do processo produtivo (um consumo estrutural) ou seja um custo que não está disponível para consumo social, não sendo portanto considerado um elemento da riqueza, mas sim o seu contrário: um fator de empobrecimento, pois retira parte dos recursos à sociedade, para garantir a sobrevivência dos monopólios.

O consumo

Numa sociedade o consumo de recursos tem quatro vertentes :
  • consumo para satisfação das necessidades individuais dos elementos da sociedade
  • consumo para satisfação das necessidades coletivas dos elementos da sociedade
  • consumo para satisfação das necessidades estruturais dessa sociedade
  • consumo para iniciar um novo ciclo produtivo (também chamado de investimento)

Como se disse anteriormente é a capacidade de consumo que mede a riqueza de uma sociedade. Sendo as disponibilidades de consumo, recursos limitados, facilmente se pode concluir que um aumento de qualquer um dos consumos faz com que haja menos recursos para os outros.

A função do predador

Todos os seres vivos e as respetivas organizações, baseiam a sua existência, na capacidade que possuem de utilizar em benefício próprio, em detrimento dos outros, os recursos escassos, em matéria, energia e informação, disponíveis no ambiente em que vivem. Isto significa que todos os seres vivos são predadores, seja de recursos inanimados seja de outros seres vivos.

Muitos autores de estudos sobre os blocos da informação atuante, (instruções ) constituintes dos seres vivos – os genes – atribuem já a estes blocos elementares, as propriedades predadoras. 
Na natureza, mesmo na inanimada, existe um princípio de teleonomia ( prossecução de um objetivo) que condiciona a evolução , através de um mérodo, designado por seleção por "aptidão para função "
Esta noção está muito bem ilustrada por exemplo em “O gene egoísta” de Richard Dawkins .

Os homens são predadores de topo de cadeia, super - predadores , ou seja já não tendo predadores naturais externos, só podem ter como predadores os indivíduos da mesma espécie.

A nossa espécie encontra-se organizada em sociedade para maximizar o uso dos recursos escassos disponíveis.
O ser humano ( e os outros seres vivos também ) são resultantes da genética (instruções internas ou tecnologia interna) e da epigenética( tecnologia social.)

 Os recursos necessários à sobrevivência individual do ser humano e à sua reprodução (sobrevivência da espécie) são constituídos por elementos naturais (animados e inanimados), pela capacidade de trabalho da população ativa (apta para o trabalho), pela tecnologia (informação instrutiva coletiva) e pela sabedoria e aptidões individuais ( informação instrutiva individual )

Sem este refinamento ao máximo da função de predador, que nos permite apropriação individual de recursos de expressão também coletiva, não poderíamos ter sobrevivido como a espécie social que somos.

A esse uso de recursos pelas sociedades humanas e pelos seus membros, chamamos nós atividade económica e economia à ciencia que a estuda
Como todo o uso de recursos implica gasto de tempo - o único recurso disponível em igual valor para todos os seres do nosso universo – muito cedo no desenvolvimento da vida social humana, começou a apropriação do tempo de uns pelos outros, porque como espécie somos superpredadores. Isto foi o gérmen da diferenciação da sociedade em classes2.

Em economia, o predador de recursos pode gastar em proveito exclusivo, todo o roubo que faz às suas presas: matando-as, modo de sobrevivência.
 Também pode deixá-las vivas e com recursos necessários para continuar a ter disponível o mesmo Td e gastar apenas uma parte do roubo, disponibilizando o restante para iniciar um novo ciclo produtivo como investimento Ti.
Ao completar-se este novo ciclo o valor global dos bens e serviços (mercadorias) é superior ao inicial por incorporação de mais Td e Ti.

E o que é que ganha o predador ao agir do segundo modo (modo de investimento), se atuando de acordo com o primeiro modo seria suficiente para garantir a sua sobrevivência individual?

O que leva os predadores humanos a agir no modo de investimento 3 é apenas uma capacidade social adquirida ao longo da sua evolução histórica, em tudo similar ao crescimento individual dos predadores que se verifica noutras espécies. Só que ser grande na espécie humana não se mede apenas pelo tamanho do físico ou pelo tamanho do cérebro (que permite controlar melhor recursos inanimados e animados de outras espécies) mas mede-se principalmente pela capacidade de controlar recursos Td e Ti provenientes de outros seres humanos. 
É esta a razão do aparecimento do modo de produção capitalista e dentro deste modo, é esta a razão justificativa da concentração e centralização do capital constatada (descoberta) por V.I. Ulianov (Lenine)


Contudo existe um fator limitador para o crescimento que na fórmula do valor se apresenta como Fator de Monopólio – Fm.


Sendo este um fator Fm crescente com o tamanho, há um tamanho a partir do qual “fica mais caro” ser maior, caso contrário, ao fim de um previsível número de ciclos de produção-consumo suficientemente longo, só existiria um agente económico: a empresa universal sobrevivente única da concorrência e todos os seres humanos seriam seus funcionários.

Não seriam necessários estados nem nações e todos os homens poderiam viver segundo a regra de “a cada um segundo as suas necessidades” e “de cada um segundo as suas possibilidades” ou seja, em PERFEITO COMUNISMO, garantido pela política interna da empresa e pela sua necessidade fazer crescer o seu capital.
Para aqueles que seguiam ou seguem a “bíblia Marxista” isto seria a prova da ressurreição do ideal do COMUNISMO e para os liberais fundamentalistas seria a materialização da sua fé, de que o LIBERALISMO CONCORRENCIAL é o único sistema capaz de satisfazer as necessidades humanas.

O problema é que a realidade é bem mais rica do que as utopias e, para a vida, os caminhos nunca acabam. 
A cada momento, vida apresenta-nos soluções novas, imprevisíveis por aquilo que se conhecia e que fazendo parte da realidade que procuramos descrever e interpretar, permitem que haja acumulação de conhecimento e a tecnologia avance sempre. 
Ao constatarmos a quarta revolução da igualdade, coincidente com a 4ª revolução industrial, podemos afirmar que nesta revolução a sociedade necessita de um novo tipo de funcionamento económico e de um novo tipo de governação.


Conclusão

Em modo de produção capitalista com as propriedades com que foi definido anteriormente, o capitalista individual (o predador ) e a sua classe ( o predador coletivo) são elementos necessários ao funcionamento económico coerente e à sobrevivência da sociedade humana.

Sem eles seria impossível evitar o sobre consumo dos indivíduos ou a sub-ocupação do seu tempo disponível e a evolução da sociedade estagnaria ou mesmo regrediria, por falta de mecanismos de acumulação de Ti.

1 - Informação atuante é a informação que quando processada por organismos adequados lhes permite controlar ou definir o seu funcionamento. Em linguagem popular podemos dizer que informação atuante ou instrituva é uma “receita” para que “máquinas” adequadas desempenhem uma tarefa específica, como por exemplo: fabricar coisas, reproduzir-se etc.
2Existem outras espécies de seres vivos sociais, como por exemplo: as abelhas, em que a diferenciação em classes, parece não implicar uma razão de predador - presa, mas um especialização funcional, recebendo da cada individuo de cada classe, o necessário e suficiente para a sua função individual, para a sua sobrevivência e para a sobrevivência da espécie.
3Embora a maioria das espécies predadoras não atue em modo de investimento, há espécies de insetos como as formigas, que também pastoreiam e cultivam ou seja, agem no modo de investimento.

Uma visão pós marxista da teoria do valor 9


Economia planificada versus economia de mercado. 


O modo de produção nos países governados por partidos comunistas era o modo de produção capitalista ou era um modo de produção absolutamente novo que poderemos designar por socialista ou comunista?



Os seguidores da escola marxista advogam que a economia: a produção e o consumo de bens e serviços, deveria ser rigorosamente planificada. Baseados neste princípio tentaram implementar formas de governação da sociedade a todos os níveis, destinadas a prosseguir este fim.

Nos países em que os partidos comunistas ascenderam ao poder, cedo se constatou que era tecnicamente impossível adaptar a produção às necessidades de consumo, por insuficiência da produção. Isto impedia a planificação global. Então procuraram planificar a produção tentando maximiza-la com os recursos disponíveis. A solução que foi encontrada para maximizar a produção foi a chamada economia de escala: poucos produtores (ou mesmo um só ) de grande dimensão atuando em regime de monopólio. Esses poucos produtores foram em geral geridos diretamente pelo estado.

Como uma das funções do estado socialista era garantir que toda a força de trabalho da população ativa era empregue na produção de bens e serviços, nas duas primeiras décadas dos regimes governados pelos partidos comunistas, houve uma clara melhoria das condições materiais e espirituais (cultura e educação) dessas sociedades pela ausência de desemprego. Houve pois enriquecimento e disponibilidade dos bens e serviços básicos.

Em termos da teoria do valor significa que se fez crescer Td ( trabalho direto). Como em simultâneo a tecnologia evoluía no mundo inteiro, pelas necessidades de produção em muito larga escala, Ti (trabalho indireto) foi aumentando por introdução de novos métodos fabris de produção e por incorporação de conhecimentos tecnico-científicos produzidos interna ou externamente.

Deste modo a aplicação quase integral da força de trabalho ativa e o aumento da produtividade suportaram o enriquecimento desses países.

Isto até parecia uma visão do paraíso material e até mesmo espiritual, pois a disponibilidade da educação para todos, em especial da educação secundária, foi um grande salto para uma população acabada de sair de uma organização medieval onde a educação era um privilégio da classe alta.

A economia desses países manteve sempre uma forte componente mercantil como forma de adaptar o consumo à produção quer dos bens quer dos serviços e mesmo nesses países continuou em circulação o dinheiro (papel moeda).

O planeamento, que se aplicou apenas à produção, ficou restrito às atividades económicas com todo o ciclo controlado diretamente pelo estado. O planeamento do consumo e o planeamento das atividades económicas da economia de mercado, nunca chegou a ser feito por falta de instrumentos técnicos e mesmo de estudos teóricos.

Para sabermos que tipo de modo de produção existiu nesses países teremos obter a resposta para algumas questoes:

  • Como era feita a acumulação de valor na sociedade, em caso de excedente de produção
  • Qual era o papel do dinheiro e das instituições financeiras.
  • Se o dinheiro poderia ser acumulado por particulares e se os particulares poderiam reinvestir os seus excedente de qualquer modo ou se tinham obrigatoriamente de os consumir
  • Se o valor de aquisição dos bens e serviços transacionados em mercado podia ser descrito pela fórmula geral do valor, tendo relevância as parcelas L, Op e Fm (lucro, fator de escassez  e fator de monopólio)
  • Se os preços de venda demonstravam tendência para decrescer com a evolução tecnológica ou se pelo contrário havia inflação visível.

Segundo a informação disponível divulgada pelos próprios regimes (para este fim fonte fidedigna) :

    - fora dos períodos de guerra em que o consumo era racionado, os cidadãos para adquirirem bens e serviços precisavam de pagá-los com dinheiro, quer fossem estes bens e serviços produzidos por entidades particulares individuais ou cooperativas ou fossem produzidos por monopólios estatais.
  • Nas atividades económicas geridas por privados a acumulação de valor fazia-se pelo modo já descrito para o modo de produção capitalista, ou seja por cada ciclo Capital seguinte = Capital anterior + Valor acrescentado incorporado.
  • Nas atividades económicas geridas pelo estado,bé mais difícil identificar o método pois os produtores (empresas estatais) só muito tardiamente (depois do fim da segunda guerra mundial), começaram a ter de apresentar justificação de funcionamento, para além do cumprimento do plano de produção.
  • No período anterior o estado fornecia todos os recursos em materiais e mão de obra necessários para garantir o plano de produção. Assim, durante muito, tempo esses regimes afirmavam que sendo o setor estatal maioritário e determinante na economia e não sendo os bens e serviços disponibilizados em regime mercantil puro, não existia o lucro. Contudo em termos teóricos, os marxistas, nunca conseguiram justificar cabalmente se o estado pagava o justo pelo Td (trabalho direto) dos produtores e caso se admitisse que pagava menos, se essa diferença poderia ser ou não considerada como lucro.
  • Durante o último terço de vigência dos regimes socialistas, parece consensual entre todos as escolas económicas que a economia funcionava em modo mercantil, que existia lucro e que esse lucro era apropriado pelo estado. Nos raros empreendimentos não estatais o lucro era de apropriação privada, portanto o modelo económico de então, pode ser classificado como capitalismo de estado.
  • O dinheiro existiu sempre em circulação durante toda a vigência dos regimes socialistas. 
  • Podia ser detido por particulares que o poderiam guardar por si ou depositar em bancos (que eram todos estatais) usufruindo de juro pelo menos na fase tardia dos regimes .
  • O dinheiro também poderia ser usado para investimento além de ser usado para adquirir bens e serviços para uso particular.
  • A maioria das atividades económicas não estava acessível ( por razões de licenciamento) para investimento particular, mas naquelas que estavam, os particulares podiam investir o seu dinheiro, sem se sujeitar a planos de produção, vender os seus produtos em regime mercantil e apropriar-se do lucro, pagando impostos ao estado.
Falta agora determinar se existia inflação. 
Ou seja, falta saber se o valor do dinheiro, ou a paridade de preços de venda de bens e serviços variou ao longo do tempo, mas isso dá tema para um artigo independente.