10 junho 2013

Dar novos mundos ao mundo - 10 de Junho, Dia de Portugal

Cesse tudo o que a musa antiga canta porque outra voz mais alta se alevanta... Demos mundos novos ao mundo num momento em que as nações da Europa se encontravam numa encruzilhada à procura de alternativas e parecia que todos os caminhos levavam a Bojadores e Adamastores ou a Mouros e Turcos. Neste início do sec XXI estamos numa situação semelhante à que se estava no início do sec XV. 
As alternativas parece que se encaminham todas para mundos que ficam para lá do que é eterno....para as próprias portas do Inferno.
Está na hora de darmos outra vez novos mundos ao mundo. Sim, apesar de haver quem nos coloque como coletivamente avessos à inovação e incapazes de nos desenrascar perante novas situações, houve nestes últimos 40 anos várias situações em que desmentimos esta classificação e provamos que ainda somos descendentes de gente destemida, quer na guerra, quer na paz, quer ainda na capacidade de fazer uma revolução sem sangue integrando todos, mesmo aqueles que eram e ainda são contra essa revolução. 
O mundo precisa de respostas para um número crescente de problemas tanto de nível científico e tecnológico como social e organizacional. Alguns desses problemas colocam-nos perante Adamastores. A evolução da Democracia é um deles.  Isto é questionado de forma muito clara, por exemplo, nestas palavras publicadas em OS PENSADORES: (sic) " ...
Ao não haver, quando se elege, um vínculo de mandato imperativo, pelo qual os eleitores traçam uma linha de conduta que delimita a actuação do eleito e que este não poderá ultrapassar, tornando-se assim porta voz dos interesses de quem elegeu, o que sucede é que no momento da votação se torna independente dos eleitores...."
Estamos a viver a era da 4ª revolução da igualdade desde há quase 30 anos : a primeira vez que uma revolução está a ser feita por quase todas as classes sociais e que está a ser feita em simultâneo em todos os países do planeta, embora nuns siga mais rápida do que noutros.
Estamos perante um grave problema: os cidadãos não se sentem representados pelos partidos e começam mesmo a contestar o sistema democrático atual. Estamos pois perante a necessidade de dar novos mundos ao mundo. 
Todos temos esse dever de Portugueses: dar novos mundos ao mundo. A minha contribuição para se encontrar uma solução para a participação mais efetiva dos cidadãos na gestão da coisa pública, que não enferme ou pelo menos seja menos afetada pelo mal do monopólio dos partidos, foi escrita ao longo dos últimos anos neste blog numa série de artigos começada em 2010 e sumarizada em Bases para uma nova participação do cidadão na vida pública
Discuta-se e melhore-se e apliquem-se as minhas sugestões e garantidamente seremos os primeiros do mundo a libertar-nos da classe política

30 maio 2013

Uma visão pós marxista da Teoria do Valor - 5

O valor de venda dos bens e serviços em função do Factor de Monopólio numa economia
Neste artigo procuraremos apresentar um modelo matemático que represente o funcionamento da economia partindo de conceitos base,  referenciais e unidades de medida comuns a outros ramos do conhecimento. Desse modo usa-se a valoração do trabalho como tempo multiplicado por um factor de ponderação quando adequado.
Assim consideraremos que o valor comercial dos bens e serviços (Preço de venda ou aquisição)  pode ser descrito genericamente pela expressão :
PV=a.TrabalhoHumanoDireto+b.TrabalhoHumanoIndireto+c.OfertaProcura+d.FatorMonopólio
em que a, b e d são coeficientes positivos e c pode ser positivo ou negativo
Relembremos o significado de cada uma destas parcelas :

- O trabalho humano directo ou presente - trabalho directo dos produtores pago na geração presente. É o tempo de trabalho remunerado dos trabalhadores intervenientes em todas as fases do processo produtivo (isto inclui o trabalho dos gestores, enquanto gestores, não inclui a remuneração do capital que se atribui à parcela lucro), dos projetistas, dos empregados administrativos, da logística, da distribuição e outros.

- O trabalho humano indirecto passado ou ausente - já pago no passado às gerações que o produziram e é consubstanciado no capital e nos meios de automatização da produção.

- A parcela OfertaProcura mostra que a mais valia ou lucro dos detentores do capital nos diversos escalões do circuito produção e distribuição (L), só pode existir num sistema de produção de mercado e depende claramente do facto de esse mercado ser ou não concorrencial. Neste artigo apresenta-se como uma parcela aditiva ( com sinal positivo ou negativo) porque mesmo no caso de mercadorias em que o valor das duas primeiras parcelas é tendencial para zero o preço final depende sempre da relação entre a oferta e a procura. Apresento como exemplo ilustrativo a venda dos impulsos telefónicos em que o custo actual de uma conversação por minuto é de menos de um décimo do cêntimo do euro mas continua a ser vendido por muitos cêntimos.

- A parcela FactorMonopólio apresenta-se como elemento independente que tem um valor não desprezável sempre que num determinado setor económico ou conjunto de mercadorias o número de produtores é reduzido e o mercado funciona cartelizado sem concorrência real.
Na maioria dos casos esta parcela não se reflete no lucro líquido disponível para o capital porque esta soma é gasta em ineficiências e custos estruturais. Os maiores exemplo são os bens e serviços produzidos e comercializado por monopólios nacionais e internacionais incluindo os serviços de estado. Para o consumidor fica apenas a sensação de que os bens ou serviços são mais caros do que o que deveriam ser....

Estas duas últimas parcelas apresentam valores independentes dos  "custos de produção e distribuição" derivados do trabalho humano direto ou do trabalho humano indireto (incorporado no capital).

Assim a fórmula genérica proposta para o custo de aquisição é:
Caq = ((Td+Ti)/TD)+Lucro+Fm

Uma visão pós marxista da teoria do valor - 4


Fator de monopólio

Definições
No âmbito deste artigo considera-se que existe este fator de formação dos preços dos bens ou serviços nas circunstâncias em que uma determinada produção ou distribuição chega ao consumidor através de uma cadeia de comercial (produção-distribuição-consumo) que inclua pelo menos um elo monopolista.
Do mesmo modo ainda no âmbito deste artigo define-se como condição de monopólio a condição de concorrência comercial em que se encontrem menos de 10 concorrentes por 100000 consumidores e em e que o volume de negócios desses concorrentes tenha peso da economia de pelo menos 0,1%. Nestas circunstâncias a formação dos preços não depende apenas do valor do trabalho humano incorporado mais o lucro dos detentores do capital dentro da cadeia produção-distribuição, mas tem um custo adicional proporcional ao grau de monopólio da cadeia comercial e ao seu tamanho absoluto da parte monopolista (quer em volume de faturação quer em orçamento geral)
O início da formação de monopólio
Verifica-se que os custos de estrutura de uma empresa por unidade de vendas são decrescentes com o tamanho da empresa (capital social combinado com volume de faturação) enquanto a empresa está inserida num circuito comercial concorrencial. Mas num mercado limitado (que não seja arbitrariamente crescente quer em volume de faturação quer em número de empresas) há um momento em que o crescimento das empresas se começa a fazer à custa da destruição das empresas que não conseguem crescer. Ou seja dá-se crescimento de alguns diminuindo muito o número total dos intervenientes no setor. A esse ponto chamo: o ponto inicial de formação de monopólio.
Nesse momento pelo menos alguns dos concorrentes, de acordo com a teoria dos jogos de Pareto descobrem que podem fazer cartelização ou seja tirar mais vantagens económicas combinando os resultados do jogo económico, em vez de competir. Assim se começam a formar os monopólios que uma vez estabelecidos deixam de ter necessidade de evoluir em eficiência económica. Para se manterem basta-lhes retribuir ao capital dividendos não decrescentes por unidade de capital investido. Os preços dos bens e serviços que comercializam deixam de ter uma relação exponencial inversa com a economia de escala e a evolução tecnológica, retardando no setor “a fase económica de cauda longa” tal como foi definida por Chris Anderson nos seus livros “A Cauda Longa” e “Free”.
Fatores que contribuem para a perda de eficiência económica nas empresas monopolistas
A economia como reflexo da atividade humana está condicionada às mudanças na sociedade. As mudanças que mais afetam a economia são as de caráter tecnológico e as alterações demográficas. São as alterações na tecnologia que permitem o aparecimento de novos bens e serviços ou a alteração qualitativa ou substancialmente quantitativa dos bens e serviços existentes e são as alterações demográficas, em especial as expansivas, que trazem a disponibilidade de mão de obra na produção e o aumento de consumo com efeitos económicos visíveis no mercado.
É evidente que estas duas condições são apenas condições necessárias mas não suficientes para a mudança, pois esta é um processo revolucionário. As empresas para enfrentarem a mudança precisam pois de ter características internas de grande adaptabilidade, como diversidade potencial nos seus produtos, na sua mão de obra e na sua estrutura interna. Ora é esta adaptabilidade nos produtos, na mão de obra, na maquinaria automática e na sua estruturação, que mais regride à medida que uma empresa vai crescendo até se tornar monopolista. Verifica-se que as empresas sobreviventes na fase de monopólio dificilmente mantêm eficiente leve e flexível a sua estrutura interna. Por estarem inseridas num mercado vasto com poucos ou nenhuns concorrentes deixam de ter a necessidade de eficiência económica na produção dos bens e serviços e com a cartelização explicita (combinada) ou implícita (não combinada) os preços e condições fornecimento dos bens ou prestação de serviços mantêm-se bastante mais gravosos do que poderiam ser em mercado concorrencial.
O peso deste fator não significa que do preço final é distribuído mais valor para os produtores primários (todo o trabalho humano necessário e suficiente para garantir o fluxo produção-distribuição consumo). De igual modo não significa sequer que contribua eficazmente para a acumulação de capital na cadeia económica quer por meio de mais dividendos monetários distribuídos aos detentores do capital quer por meio de investimento em meios de capital, tanto em maquinaria como em qualificação da mão de obra.
O que se verifica é que no preço final, cada vez têm mais peso, custos como os de marketing, as remunerações da hierarquia de topo quer ela seja ou não detentora de capital (e neste caso essa hierarquia é duplamente remunerada), os desperdícios em utilização de material e mão de obra (sendo neste caso relevantes os empolamentos de funções inúteis e megalómanas) e ineficiências quer na produção ( como a sub empreitagem - outsourcing - sistemática), quer na distribuição com longas cadeias de distribuição ( há uma frase popular que resume assim : com este lucro dá para tudo !).
Monopólios de capital público e monopólios de capital privado.
Consideram-se monopólios públicos todos aqueles em que a titularidade do capital não está predefinida para um número específico e concreto de cidadãos acionistas. Nesta categoria encontram-se as empresas e organismos estatais e também as empresas de capital aberto disperso em bolsa, as empresas detidas por fundos (de investimento ou outros).
Consideram-se monopólios privados todos aqueles em que a titularidade do capital está atribuída a um número específico e concreto de cidadãos acionistas . Nesta categoria encontram-se todas as sociedades limitadas que não pertençam a fundos, as sociedades cooperativas e as sociedades anónimas de capital fechado
As empresas monopolistas de capital público, seja este estatal ou particular, têm características de estrutura, de funcionamento, de gestão, de mentalidade e de comportamento da sua mão de obra (desde a gestão até ao executante mais baixo) muito semelhantes, podendo-se caracterizar por uma alta ineficiência económica, por um imobilismo e conservadorismo confrangedores e por um preço empolado nos bens e serviços que produzem. É neste setor onde mais se nota a influência do fator de monopólio na formação do preço final. Em termos de regimes de governação onde mais se notou esta influência foi nos regimes políticos dominados pelos partidos comunistas e afins. Esta foi uma das grandes razões da implosão dos regimes satélites comunistas do leste europeu. Eles criaram um tecido económico e social incapaz de se adaptar às mudanças do fim do sec XX e sec XXI. Neste tecido económico e social reinava a classe política (complexo militar industrial e Nomenklatura do partido ou partidos do poder), com uma mentalidade extremamente conservadora, completamente avessa à mudança, infetada pela corrupção de todos os níveis da sua estrutura e em qualquer lugar que se encontrasse na estrutura do estado ou da sociedade. Com esta mentalidade e comportamento os monopólios estatais e particulares (pois que também havia e há: veja-se o caso atual da China) afastaram-se completamente de um processo económico e social cuja tendência fosse Reduzir, Reutilizar e Reciclar ou seja serem eficientes. Sem remunerarem mais ou mais corretamente os produtores primários ( trabalhadores da cadeia produção distribuição) produziam bens e serviços obsoletos inúteis ou com custos empolados. Era o reino da burocracia com as suas inutilidades obsolescências.
Assim se vê que para o fator de monopólio contribuem os custos com as inutilidades ou desperdícios internos mas também os custos dos serviços estatais característicos da burocracia tão querida da classe política.

Continua.....

10 maio 2013

A sete passos de Deus ! 365 é o número do fim das ditaduras!

Em termos de comunicação ou difusão de informação podemos dar sete passos mas ao oitavo já só Deus nos pode ouvir!
Demonstração:
Pressupostos:
1 - O números máximo de contactos manuseável pelo ser humano ronda os 150 ( número de Dunbar) Isto está validado por muitas investigações experimentais nas redes sociais ( Twiter, Facebook e outras)

Citando artigo publicado e Comunicação on-line:
"Cérebro humano tem capacidade para lidar no máximo com 150 relacionamentos no Facebook.

Muita gente se vangloria de ter centenas de “amigos” no Facebook, a rede social online de maior sucesso. Mas estudo feito por um professor da respeitada universidade de Oxford, na Inglaterra, mostra que, mesmo estes usuários mais ativos só conseguem se relacionar de verdade com, no máximo, 150 pessoas.

Em entrevista ao Times Online, o autor do estudo, professor de Antropologia Evolucionista na Oxford University, Robin Dunbar, afirma que o número revelado pela pesquisa vem se mantendo inalterado em diferentes sociedades, ao longo da história. “Você pode ter 1500 amigos (online), mas quando olha o tráfego nos sites, verifica que a pessoa mantém o mesmo círculo de até 150 pessoas que tem na vida real”, garante ele.

O professor Dunbar se tornou conhecido por pela teoria do “Número de Dunbar”, segundo a qual, a parte do cérebro que processa a linguagem e os pensamentos conscientes permite ao ser humano lidar apenas com até 150 amigos, não importa o número de pessoas com as quais ele esteja em contacto.

O académico fez a experiência com o Facebook para ver se seria possível, através da rede social, expandir a rede de amigos. O resultado, anunciou ele,  deu os mesmos 150 dos estudos anteriores."


2 - Dos 150 contactos possíveis apenas se comunica mutuamente com 20 uma ou mais vezes por semana (Número de Dunbar restrito).



Cálculos
Assim se  cada pessoa mandasse uma mensagem para os seus amigos chegados (do grupo dos 20 preferidos) e cada um deles fizesse o mesmo ao fim de sete reenvios a mensagem tinha chegado a
20⁷=1 280 000 000  pessoas (mais do que a população da Índia)
Ao fim do oitavo passo teria chegado a 20⁸=25 600 000 000 pessoas se houvesse população humana suficiente. 
Como não há gente que chegue, já só Deus é que pode receber a nossa mensagem
 

O número do fim das ditaduras
No final da década de 70 do sec XX investigadores americanos chegaram à conclusão que nenhuma Ditadura sobrevivia mais do que 5 anos após existirem na sociedade mais de 67 telefones por mil habitantes. 
Se considerarmos este o número de Dunbar restrito para os telefones, e considerarmos que uma determinada informação complexa  demora um dia a ser recebida digerida e reenviada, então para um país de 50 milhões de habitantes precisaríamos de 5 dias para que todos os cidadãos recebessem a mensagem pois
67⁴= 20 151 121
67⁵= 1 350 125 107
em  5 anos difundiríamos 365x5:5= 365 mensagens relevantes diferentes. 
Este é o número do fim da besta do mal!

08 abril 2013

António Costa (PS) e a Classe Política

António Costa, em menos de 3 minutos,  na "quadratura do círculo" arrasou a Classe Política Europeia.
Eis o que ele disse:
“A situação a que chegámos não foi uma situação do acaso. A União Europeia financiou durante muitos anos Portugal para Portugal deixar de produzir; não foi só nas pescas, não foi só na agricultura, foi também na indústria, por ex. no têxtil. Nós fomos financiados para desmantelar o têxtil porque a Alemanha queria (a Alemanha e os outros países como a Alemanha) queriam que abríssemos os nossos mercados ao têxtil chinês basicamente porque ao abrir os mercados ao têxtil chinês eles exportavam os teares que produziam, para os chineses produzirem o têxtil que nós deixávamos de produzir. E portanto, esta ideia de que em Portugal houve aqui um conjunto de pessoas que resolveram viver dos subsídios e de não trabalhar e que viveram acima das suas possibilidades é uma mentira inaceitável. Nós orientámos os nossos investimentos públicos e privados em função das opções da União Europeia: em função dos fundos comunitários, em função dos subsídios que foram dados e em função do crédito que foi proporcionado. E portanto, houve um comportamento racional dos agentes económicos em função de uma política induzida pela União Europeia. Portanto não é aceitável agora dizer… podemos todos concluir e acho que devemos concluir que errámos, agora eu não aceito que esse erro seja um erro unilateral dos portugueses. Não, esse foi um erro do conjunto da União Europeia e a União Europeia fez essa opção porque a União Europeia entendeu que era altura de acabar com a sua própria indústria e ser simplesmente uma praça financeira. E é isso que estamos a pagar!
A ideia de que os portugueses são responsáveis pela crise, porque andaram a viver acima das suas possibilidades, é um enorme embuste. Esta mentira só é ultrapassada por uma outra. A de que não há alternativa à austeridade, apresentada como um castigo justo, face a hábitos de consumo exagerados. Colossais fraudes. Nem os portugueses merecem castigo, nem a austeridade é inevitável.
Quem viveu muito acima das suas possibilidades nas últimas décadas foi a classe política e os muitos que se alimentaram da enorme manjedoura que é o orçamento do estado. A administração central e local enxameou-se de milhares de "boys", criaram-se institutos inúteis, fundações fraudulentas e empresas municipais fantasma. A este regabofe juntou-se uma epidemia fatal que é a corrupção. Os exemplos sucederam-se. A Expo 98 transformou uma zona degradada numa nova cidade, gerou mais-valias urbanísticas milionárias, mas no final deu prejuízo. Foi ainda o Euro 2004, e a compra dos submarinos, com pagamento de luvas e corrupção provada, mas só na Alemanha. E foram as vigarices de Isaltino Morais, que nunca mais é preso. A que se juntam os casos de Duarte Lima, do BPN e do BPP, as parcerias público-privadas 16 e mais um rol interminável de crimes que depauperaram o erário público. Todos estes negócios e privilégios concedidos a um polvo que, com os seus tentáculos, se alimenta do dinheiro do povo têm responsáveis conhecidos. E têm como consequência os sacrifícios por que hoje passamos.
Enquanto isto, os portugueses têm vivido muito abaixo do nível médio do europeu, não acima das suas possibilidades. Não devemos pois, enquanto povo, ter remorsos pelo estado das contas públicas. Devemos antes exigir a eliminação dos privilégios que nos arruínam. Há que renegociar as parcerias público--privadas, rever os juros da dívida pública, extinguir organismos... Restaure-se um mínimo de seriedade e poupar-se-ão milhões. Sem penalizar os cidadãos.
Não é, assim, culpando e castigando o povo pelos erros da sua classe política que se resolve a crise. Resolve-se combatendo as suas causas, o regabofe e a corrupção. Esta sim, é a única alternativa séria à austeridade a que nos querem condenar e ao assalto fiscal que se anuncia."