29 outubro 2014

Para que nos servem os economistas?


Numa entrevista recente na rádio, o Bastonário da Ordem dos Economistas, afirmou publicamente que a economia não é uma ciência exata, pois todos os seus cálculos são previsões, que podem ser desmentidas pela realidade.
No entanto um ramo aparentado do conhecimento: a contabilidade, é uma ciência exata, que apresenta todos os seus resultados com precisão de um relógio suíço,  exceto quando os balanços contabilísticos se referem a empresas do setor financeiro, em que os lucros apurados, não passam de uma simples miragem, motivada pela gula da distribuição de dividendos e prémios de gestão.

Ser a economia uma arte semelhante ao Tarot  ou a um culto religioso feito por xamãs, que mandam chover ou fazer sol na bolsa de valores, até teria a sua graça, se as ações dos doutos economistas não tivessem consequências funestas nos nossos bolsos.
Se a economia não se pauta pela exatidão, então deveríamos olhar para os economistas como uma espécie de adivinhos e não como titulares de grau académico. A sua ciência não se pautando pelo rigor de cálculo,  não passa de mera especulação, senão mesmo de embuste premeditado.

Sendo assim, para que nos servem os economistas?
Esta alta classe de pessoas, pela graça de Deus, arroga-se ao direito a governar as empresas, os serviços públicos e as nações. Empenha-se em interpretar e mesmo reescrever o passado e prognosticar o futuro, ao sabor de cada nova  "teoria" que inventa, criando experimentos no laboratório social da vida, em que nós, os comuns dos mortais, não passamos de meras cobaias que na melhor da hipóteses servem para testar se a folha de cálculo que planifica a nossa austeridade tem algum erro básico de contas.

Essa espécie de seres desumanos, do alto das sua ilustre e soberba ignorância , sacrifica pessoas, massacra nações e aterroriza a humanidade em nome do deus lucro, cujo verbo encarnado nos fala do paraíso dos mercados, através dos textos da sua sagrada escritura revelada ao profeta Milton Friedman.

Apesar de se intitularem neoliberais, estes doutos especialistas em adivinhação, têm uma enorme aptidão para em nome do deus lucro, colaborarem com as mais negras ditaduras económicas ou políticas (1), renegando na prática a liberdade que apregoam nos discursos. Para eles a liberdade é apenas para o capital financeiro eliminar as classes médias e esmagar as classes mais baixas, na sociedade construída segundo sua bitola.

Esses cruzados guardiões da ordem do mercado, aproveitam (e até criam de propósito) as mais duras crises, para com uma política terra queimada, extorquirem e extirparem das sociedades contemporâneas tudo o que o que elas tenham de estado social Keynesiano ou mesmo qualquer  cheiro a socialista.

A sua verdade dita que a raiz de todos os males que afligem as sociedades é o demónio social, esteja ele disfarçado de :
  •  segurança social,
  •  escola pública,
  • “profit sharing” (participação nos lucros ),
  •  responsabilidade social,
  •  educação pública,
  • segurança pública,
  • economia verde
 ou mesmo quando aparece na sua encarnação de Satanás Socialista.   
Eles querem impor “a sua verdade,” nem que tenham de reescrever a realidade pressente ou passada, para condicionar aparecimento do futuro previsto por eles, mesmo que essa previsão seja o fruto de um erro básico de matemática.

A sua verdade é a mesma do “Big Brother”  exposta no livro “1984”.  Vejamos porque é que os ditos economistas fazem a sua guerra para condicionar a humanidade, citando a Wikipédia :

“No livro, Orwell expõe uma teoria da Guerra. Segundo ele, o objetivo da guerra não é vencer o inimigo nem lutar por uma causa. O objetivo da guerra é manter o poder das classes altas, limitando o acesso à educação, à cultura e aos bens materiais das classes baixas. A guerra serve para destruir os bens materiais produzidos pelos pobres e para impedir que eles acumulem cultura e riqueza e se tornem uma ameaça aos poderosos. Assim, um dos lemas do Partido, "guerra é paz", é explicado no livro de Emmanuel Goldstein: "Uma paz verdadeiramente permanente seria o mesmo que a guerra permanente".

Mas  para implementar este tipo de escravatura da era industrial e violar os direitos humanos, já tivemos e temos e teremos os ditadores e os estados totalitários.  
Eles não conseguem explicar o funcionamento do modo de produção capitalista, que tem mais de 200 anos de vida e conviveu ao longo desse tempo com as mais doutas escolas do xamanismo económico.
Eles não conseguem justificar:
  • a inflação,
  • a crise
  • o desemprego
  • a austeridade
  • o crescimento
  • a evolução dos preços
  • o rating dos bancos e dos países
O único futuro que conseguiram "prognosticar" foi o das falcatruas financeiras depois delas terem sido tornadas públicas. Nem sequer conseguiram avisar sobre os perigos dos esquemas dos velhos embustes financeiros tipo pirâmide de Ponzi.


Afinal para é que queremos economistas?
 

08 outubro 2014

A um passo do abismo!


 A humanidade em geral e a civilização do sec XXI em particular, tem uma predileção especial em caminhar sobre o fio da navalha, assumindo atitudes de  risco que são típicas de fases juvenis dos seres humanos individuais.
Foi a guerra fria do sec XX, sempre a um passo da guerra nuclear generalizada. Foi o consumo descontrolado de combustíveis fósseis, sempre a um passo do desastre climático, ignorando os avisos da ciência e do clima. É o uso descontrolado (e com experiências muitas vezes secretas) de organismos geneticamente modificados, quando ainda estamos no início da compreensão do funcionamento dos mecanismos da vida, sempre a um passo de um desastre biológico à escala planetária. Foi e é o "esquecimento" generalizado por políticos e governantes mundiais, das regras de prudência dos 3 R, quando se impunha uma concertação global sobre a nossa evolução conjunta num futuro imediato. Isso conduz-nos todos a um passo de uma sociedade de escassez, em vez do nos dirigirmos em conjunto para uma sociedade da abundância preconizada por Karl Popper.
É o claro retrocesso planetário dos direitos dos cidadãos em favor dos "direitos" do capital financeiro, fazendo-nos aproximar do abismo dos estados totalitários, em vez de usufruirmos dos benefícios da revolução cientifico-técnica e da 4ª revolução da igualdade em curso desde o último quarto do sec XX.
Temos escapado sempre ao pior cenário, mas não é prudente continuar a abusar da sorte. A nossa capacidade de sobrevivência global não é ilimitada e se continuarmos a acumular erros básicos, de um momento para o outro pode rebentar o fio que segura a espada de Dâmocles sobre as nossas cabeças.
O desastre sanitário (vírus ébola) que se abateu sobre a África equatorial e que já teve repercussões na vizinha Espanha, é disso uma prova cabal. 

Perante a iminência de catástrofes globais ou localizadas continuamos a comportar-nos como miúdos incautos a brincar com o fogo. Existem recursos científicos e tecnológicos que aliados  a uma atitude prudente nos permitiriam enfrentar os problemas atuais e alguns previsíveis para um futuro próximo. 
Nunca poderemos esquecer que temos o abismo da aniquilação como destino certo. Isso deriva das leis da termodinâmica, no entanto podemos afastar-nos conscientemente desse cenário nos tempos próximos em vez de caminharmos inconscientes pelas bordas do precipício.
 Vivemos num planeta azul muito bonito e aprazível, mas único no universo observável ao nosso alcance.
É conveniente não nos esquecermos que só temos uma vida e um só planeta à nossa disposição.

13 fevereiro 2014

Desempregados

Desde Novembro de 2013 assiste-se a uma operação de propaganda do governo e dos seus apoiantes que tem por "slogan": O desemprego está a diminuir! A economia está a recuperar!".
Este "slogan" é complementado por outro que garante que as exportações estão a aumentar e que o produto nacional está em vias de começar a crescer e que Portugal está a sair da recessão.
Os Portugueses já estão habituados aos embustes perpetrados por políticos e se esta propaganda fosse desenvolvida apenas por essa classe inútil e perniciosa, ninguém lhe daria importância. O problema é que aparecem jornalistas comentadores e economistas com ar respeitável e falinhas mansas, que não apenas corroboram, mas também tentam justificar essa propaganda.
É preciso que as pessoas de bem, desmascarem esses embustes e esses embusteiros.
Comecemos por apreciar a questão do desemprego. Os "políticos de esquerda" afirmam que o desemprego diminuiu porque aumentaram simultaneamente  o trabalho a tempo parcial (subemprego) a emigração permanente e a sazonal e também por os números publicados têm o efeito do emprego sazonal de Verão. Até podem ter alguma razão no que dizem mas não desmascaram o embuste ( se calhar não lhes convém!)
O embuste aparece porque se mede o desemprego pelos inscritos no  nos centros de emprego.
Ora o desemprego mede-se de uma forma muito mais simples e não manipulável. Pega-se na base de dados do registo civil e extraem-se os números de contribuinte dos cidadãos com 16 anos ou mais e menos de 66 (atual idade da reforma) depois com esses números de contribuinte vai-se á base de dados da segurança social e destes verificam-se  quais são os que estão a descontar para a segurança social, ou não estão a receber subsídio de  doença, maternidade ou outro subsídio por impedimento temporário de trabalho. Os restantes são os que não trabalham, ou seja os sem trabalho qualquer que seja a razão que invoque para não trabalhar. Esses são os desempregados reais. Podem nunca ter trabalhado por conta de outrem ou por conta própria. Muitos desses cidadãos são apenas as donas(os) de casa, mas o que é certo é que não têm emprego e devem contar como desempregados.


 

20 novembro 2013

A era da magia

Vivemos numa era extraordinária, em que a mudança na nossa envolvente, muito acelerada  para o nosso ritmo biológico, ultrapassa os limites da imaginação do comum dos mortais.
A tecnologia consegue feitos que ainda há muito pouco tempo apenas faziam parte do nosso imaginário infantil, como o "Abre-te Sésamo!" da estória de "Ali Baba e os 40 ladrões"

A terceira Lei de Clarke postula que; " Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia."

Então temos de saber o que é isso de magia, que para a maioria das pessoas se relaciona com ilusionismo. Primeiramente tem de se definir o que se deve entender por "MAGIA". Isto não é fácil, como se pode ver numa rápida pesquisa pela Internet.  Cito a título de exemplo a  definição dada na Wikipedia consultada em 20/11/2013:
"Magia (não confundir com mágica ou truque) antigamente chamada de Grande Ciência Sagrada pelos Magos, é uma forma de ocultismo que estuda os segredos da natureza e a sua relação com o homem, criando assim um conjunto de teorias e práticas que visam ao desenvolvimento integral das faculdades internas espirituais e ocultas do Homem, até que este tenha o domínio total sobre si mesmo e sobre a natureza. A magia tem características ritualísticas e cerimoniais que visam entrar em contato com os aspectos ocultos do Universo e da Divindade. A etimologia da palavra Magia, provém da Língua Persa, magus ou magi, que significa sábio. Da palavra "magi" também surgiram outras tais como "magister", "magista", "magistério", "magistral", "magno", etc. Também pode significar algo que exerce fascínio, num sentido moderno, como por exemplo quando se fala da magia do cinema."

Entendo que na definição de magia não devemos associar conceitos ligados ao ocultismo ou à religiosidade, mas apenas conceitos estabelecidos pelo conhecimento científico.

Na procura de uma definição objetiva de magia em primeiro lugar temos de lhe definir o âmbito:
 - A magia aplica-se apenas a sistemas cibernéticos, ou seja sistemas constituídos por elementos materiais ( matéria e energia) e por informação atuante ou instrutiva (1).

Chamo aos sistemas cibernéticos: sistemas projetivos - aqueles que realizam um fim (em linguagem popular quer dizer que cumprem um objetivo ou realizem um projeto). Em contrapartida existem sistemas que não executam um desígnio e evoluem apenas obedecendo às leis do caso e da necessidade: são os sistemas objetivos . A ciência ortodoxa (o mainstream) postula que o Universo em si é um sistema objetivo. A maioria das religiões considera o Universo como um sistema projetivo, que realiza o projeto de um criador ou criadores.

Definição de ação mágica.
Uma ação mágica é uma ação que manipulando uma quantidade ínfima de energia e uma quantidade elementar de informação, faz com que o sistema alvo dessa ação modifique radicalmente o seu estado energético e ou estado organizacional internos.
Como exemplo pode-se apesentar a manipulação de um elevador: quando alguém entra no edifício e chama (tocando no sensor) oW3 elevador que está num andar superior, este desce e abre a porta quando chega  ao piso do chamador.
A quantidade de energia gasta pelo gesto de chamar é ínfima e a quantidade de informação alterada é elementar (1 bit ) pois detetar pessoa é 1 e não detetar é zero.
Contudo, apesar de lhe ser alterada uma quantidade ínfima de energia e informação, o estado energético do sistema eletromecânico do elevador teve uma mudança muitas ordens de grandeza maiores do que a energia envolvida na ação que deu origem a essa mudança.
Outro exemplo comum do dia a dia do homem ocidental é a manipulação de sistemas informáticos. Imagine-se o ligar ou desligar de um computador moderno: um só toque no botão de ligar ou desligar modifica o estado energético da máquina e modifica a sua estrutura organizacional, considerando incluídos os sistemas de processadores, controladores e memória.

Tendo em conta o que se disse anteriormente pode-se definir MAGIA como sendo:
" a ciência que estuda a relação entre o HOMEM e os sistemas naturais ou artificiais projetivos , criando um conjunto de teorias e tecnologias práticas, que visam em último fim proporcionar o controlo total do homem sobre todos os sistemas projetivos com que interaja, ou seja, o controlo sobre si mesmo, sobre os outros seres vivos e sobre a restante natureza no que ela for um sistema projetivo." 

Em relação às possibilidades atuais das ações mágicas recomendo vivamente a visualização desta conferência de Pranav Mistry: "a tecnologia do sexto sentido" dada no âmbito das conferências TED  (2)

2 - Conferencias TED
As conferencias TED (Tecnología, Entretenimento e Desenho) têm como finalidade a promoção de ideias que merecem ser difundidas (Ideas worth spreading). São organizadas anualmente pela Fundação Spalding.
 Através das conferências TED fomenta-se a difusão de ideias visionárias de pensadores, visionarios, líderes, inovadores, cientistas ou académicos que conseguiram distinguir-se no respetivo campo de saber.
Com esta difusão dá-se a possibilidade a muitas pessoas de ter acesso a ideias excelentes inteirando-se ao mesmo tempo dos grandes desafios que o mundo enfrenta. Nas conferências TED apresentam-se ideias em diversos campos de ciência tecnologia da educação da cultura do meio ambiente , etc que promovem a reflexão desafiam e motivam a uma mudança de atitude
 
1  - Informação atuante ou instrutiva
Informação atuante é a informação que quando processada por organismos adequados lhes permite controlar ou definir o seu funcionamento. Em linguagem popular podemos dizer que informação atuante é uma “receita” para que “máquinas” adequadas desempenhem uma tarefa específica, como por exemplo: fabricar coisas, reproduzir-se etc.
 

20 setembro 2013

Uma visão pós marxista da teoria do valor 12


Desenvolvimento económico e crescimento ou decrescimento sustentáveis

As opções de política global ou das políticas de cada país, obrigam sempre debater a questão do desenvolvimento económico e do progresso das sociedades.
Os debates em torno dessa questão nos últimos 300 anos e em particular durante o século XX e neste início do sec. XXI preencheram e ainda ocupam um lugar central nas agendas das organizações cívicas e políticas, das universidades, da comunicação social e das redes sociais.
As instituições internacionais, os governos nacionais, as organizações patronais e as organizações dos trabalhadores, a par de movimentos sociais ativistas, procuram novos paradigmas e novas fórmulas, para fazer face aos problemas económicos, sociais e ambientais do mundo contemporâneo e aos desafios que se vislumbram para o futuro próximo.
Da globalidade dos debates, das publicações e das decisões políticas e empresariais a fórmula comum - o desenvolvimento - aparece retratado nos mais diversos ângulos:
  • Humano,
  • Económico,
  • Social,
  • Cultural,
  • Local,
  • Regional,
  • Urbano,
  • Rural,
  • …...
Contudo é apresentado maioritariamente com duas propriedades muito na moda: participativo e sustentável, que têm de fazer parte do léxico de quem quiser estar incluído no “main stream”. ( anglicismo para designar aqueles que gostam de fazer parte do rebanho)

Deve-se considerar o conceito de desenvolvimento, como um conceito em permanente reconstrução, evoluindo paralelamente às mudanças de conhecimento e tecnologia, na sociedade . Por essa razão será sempre um conceito gerador de disputas, conflitos e diferentes definições, de acordo com a diversidade das escolas de pensamento.

É considerada uma verdad apriorística indiscutível, que a sociedade humana está a mudar de forma profunda e acelerada, tornando as velhas concepções e organizações rapidamente obsoletas e inadequadas às novas condições do mundo. 
Esta aceleração na mudança já era constatada na época do Renascimento.
“ Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança... “
- Luís Vaz de Camões, séc. XVI -

Esta mudança na sociedade traz consigo a redefinição ou a substituição de conceitos, que ainda eram válidos num passado recente.
É à luz desta mudança constatada, que se vai estudar a relação entre desenvolvimento e uma visão pós marxista da Teoria do Valor.
Procurarei relacionar o desenvolvimento com o crescimento económico e explicar a evolução provável da sociedade baseada na Teoria do Valor.

Desenvolvimento e crescimento económico

Apesar de remontar ao período clássico da economia política Sec. XVIII e Sec. XIX, o debate sobre desenvolvimento e crescimento económico, reapareceu em força no início da década de 1950, no contexto do pós II Guerra Mundial, quando era preciso recuperar da devastação económica e social provocada pelos combates nos países beligerantes e das consequências provocadas na economia global.
A constatação de que eram muito diferentes os recursos materiais, usados pelos habitantes médios das diversas nações e regiões levou à classificação dos países em:
  • atrasados – aqueles que usavam muito menos recursos do que a média dos países norte-ocidentais
  • em vias de desenvolvimento – aqueles que embora usando menos recursos do que a média dos países norte-ocidentais, estavam com desenvolvimento positivo
  • desenvolvidos - aqueles que usavam recursos dentro de valores próximos da média dos países norte-ocidentais
  • líderes de desenvolvimento - os países em que simultâneamente o uso de recursos pelo habitante médio era muito superior à média norte-ocidental, o desenvolvimento era mais elevado e o nível de industrialização era maior .
Esta classificação refletia grosso modo, o nível de bem estar social, o nível da eficiência governativa, em todas as suas vertentes e o nível de industrialização de cada país.
" O objetivo dessa época era revitalizar a economia e aumentar o desenvolvimento. Para isso foi desenvolvida a ideia que defendia o crescimento económico baseado no aumento do uso dos recursos materiais, como meio de recuperar o atraso.
Foi a época áurea das políticas intervencionistas dos estados nas economias – a época da expansão do Keynesianismo no mundo ocidental do norte e da expansão do socialismo no mundo oriental do norte. Os resultados obtidos a médio e longo prazo, por comparação dos mesmos parâmetros nas duas regiões, levam a concluir que em quase todos os países o método Keynesiano deu maior desenvolvimento do que o método socialista, com iguais pontos de partida. 
Apenas em três parâmetros o método socialista se revelou mais eficaz: o pleno emprego; a diminuição das assimetrias de rendimento e a massificação do uso de recursos da educação, da arte e da cultura.
Na época que mediou entre 1950 e 1986, o modelos implícitos da chamada “sociedade moderna” (socialismo marxista e capitalismo keynesiano só poderiam ser alcançados se os países “atrasados” seguissem certas estratégias de mudança social e económica, pré-concebidas por cada uma das escolas. 
No fundo, esperava-se que os países subdesenvolvidos seguissem os modelos dos países industrializados.
“O progresso através da escala de desenvolvimento era medido, julgado e avaliado por uma nova casta de especialistas internacionais. 
Os países eram classificados de acordo com seu desempenho, como atletas numa pista, orientando a distribuição ou suspensão dos recursos das agências internacionais de financiamento e ajuda”. (Stavenhagen, 1985:12).

O aparecimento das críticas
As críticas a esse conceito de desenvolvimento e aos dois modelos seguidos começaram a surgir na década de 1970, lideradas pelas escolas pós-modernistas e apoiadas quase incondicionalmente pela onda de movimentos sociais emergentes como os ecologistas.
A constatação dos efeitos ambientais provocados pela industrialização e consumo de combustíveis “fósseis”, elevou o clamor das críticas a tal ponto que hoje alguns autores propõem que para manter a sustentabilidade da civilização, o modelo não deve ser de crescimento sustentável mas de decrescimento sustentável. Estas escolas defendem que se atingiu um nível de consumo de recursos que compromete a continuidade da civilização e põe mesmo em causa a sobrevivência da maioria das espécies vivas
O francês Serge Latouche é um desses autores que tece ferozes críticas à ideia de desenvolvimento do “main stream”, afirmando que se trata de um conceito sem significado, vazio de conteúdo e mesmo “fetiche” . Este autor usa o “slogan” do decrescimento(1), como contraponto à rigidez economicista do conceito de desenvolvimento, procurando criar (sic)“... uma proposta necessária para reabrir os espaços da criatividade bloqueados pelo totalitarismo economicista, desenvolvimentista e progressista”. (Latouche, 2004).
O radicalismo das posições de Latouche assumido nas suas críticas é consubstanciado numa proposta de uma forma de decrescimento para a sociedade, com o objetivo de ser abandonado o dogmatismo da “vertente económica” do desenvolvimento enquanto “fé e religião”.
Em minha opinião a posição radical deste autor e dos seus seguidores, não se adequa ao mundo em que vivemos e apresenta uma visão muito parcial do desenvolvimento do mesmo modo que fazem os adeptos da visão economicista que tanto critica. Além disso ignora as relações que, bem ou mal, estão estabelecidas entre as várias esferas da sociedade.
A simples constatação que o modo de produção capitalista pressupõe para a sua continuidade um crescimento económico infinito, que potencialmente provoca a exaustão a destruição de recursos naturais e concentração da riqueza em poucos elementos da sociedade, não nos deve levar à conclusão de que a salvação da civilização está no abandono completo da concepção de desenvolvimento como meta.
Qual será o significado de desenvolvimento?
Há também estudiosos que defendem que o conceito de desenvolvimento em si mesmo, carrega implicações de juízos de valor com uma carga emocional forte, para os quais ainda ninguém encontrou uma substituição adequada. Se o desenvolvimento significa mudança, evolução, crescimento e transformação social, colocam então as seguintes interrogações sobre o seu real significado:
“
  • desenvolvimento de onde para onde?
  • de quê para quê?
  • de pequeno a grande?
  • de atrasado a adiantado?
  • de simples a complexo?
  • de jovem a velho?
  • de estático a dinâmico?
  • de tradicional a moderno?
  • de pobre a rico?
  • de inferior a superior?”
    Stavenhagen, 1985:12.
    A argumentação mais frequente no “main stream” da economia é que o desenvolvimento só pode ser suportado e justificado pelo crescimento económico.
    “ Na verdade, a tendência para demonstrar com números os resultados do desenvolvimento é a norma no plano político, facilmente se associando desenvolvimento com crescimento económico, argumentando-se que tal seria capaz de reduzir a pobreza e as desigualdades reforçando a coesão social ...”. João Pinto 01-02-2007 http://desenvolve.blogspot.pt
O que nos mostra a Teoria do valor pós marxista sobre desenvolvimento crescimento e decrescimento sustentável?


Definições

Desenvolvimento
Taxa de variação temporal do uso de recursos:
  • materiais (energia, matéria e objetos - “hardware”)
  • não materiais ou “espirituais” (informação organizada – dados; informação atuante ou instrutiva – programas - “software”; 
  •  “serviços” - prestados por seres humanos ou outros seres deles dependentes)
Se a taxa é positiva temos crescimento ou progresso se a taxa é negativa temos decrescimento ou retrocesso e se é nula temos estagnação
Esta taxa pode ser considerada relativa à sociedade como um todo, à média por habitante ou ao habitante médio (aquele pertencente ao grupo mais numeroso de uma sociedade).
Para o âmbito do presente estudo consideramos o desenvolvimento de uma sociedade relacionado com o habitante médio.

Teoria do valor pós-marxista
Teoria exposta neste blogue que pretende explicar o funcionamento económico das sociedades, considerando o tempo de trabalho total socialmente necessário na fases de produção e distribuição do circuito económico, como o parâmetro determinante (mas não único) desse mesmo funcionamento, com uma formulação diferente da usada pela escola clássica de economia (em particular da marxista).

Continua ….

Referências

http://www.decroissance.org
http://www.decroissance.info
http://www.degrowth.net
http://decrescimentosustentavel.blogspot.pt/
http://desenvolve.blogspot.pt

LATOUCHE, S. O Sul e o ordinário etnocentrismo do desenvolvimento. Le Monde Diplomatique (Ed. Brasileira). Ano 5, n. 58, Nov., 2004. LATOUCHE, S. (2004a). Survivre au développement. De la décolonisation de l’imaginaire économique à la construction d’une société
alternative. Paris: Mille et Une Nuits.
STAVENHAGEN, R. (1985).
Etnodesenvolvimento: uma dimensão ignorada no pensamento desenvolvimentista. Anuário Antropológico, No 84, p. 11-44.

Nota (1)
Para Latouche decrescimento não chega a ser considerado um conceito no sentido tradicional do termo pelo que não é caso considerar-se a existência de uma “teoria do decrescimento”. Segundo ele, decrescimento é simplesmente um slogan lançado por aqueles que procedem a uma crítica radical do desenvolvimento. Para um aprofundamento da questão ver Latouche (2004a).