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07 julho 2015

Eu sou OXI! E agora Grécia?

A propósito de uma publicação em http://aformigadeesopo.blogspot.com.es/ de 26-10-2013 denominada "NÃO HÁ BECOS SEM SAÍDA".


 A vitória do povo grego sobre a chantagem neoliberal de vários governantes e outros membros da classe política atualmente no arco do poder europeu, voltou a trazer à primeira página dos jornais e das mentes que ainda conseguem pensar sem muros no pensamento, a pergunta que se se impõe:
 
- O povo grego ganhou! E agora? O que fazer para que este sucesso não se torne uma vitória de Pirro?
 
Ou como diz o meu pai com 92 anos e muita vida vivida:
 
- Ganharam à Troika! E aos coronéis será que lhes ganharam?
 
Esta reserva mental de quem já viveu muito, expõe uma verdade indesmentível: a Democracia não é um regime divino, eterno e indestrutível: pode ser atacada por dentro  e por fora. 
 
Os que viveram o Séc. XX, lembram com certeza que os inimigos da Democracia do Povo, quando não conseguem impor muros no pensamento, impõem os muros de canhões como a sua solução final. 
 
As diversas fações da classe política (nos governos e oposições institucionais) criaram o mito de que não há Democracia sem eles e mais: que a Democracia são eles.
 
O mito de que fora da classe política só há caos, é atualmente uma das paredes mentais mais usadas para nos criar a ilusão de que fora das propostas da classe política, só há becos sem saída e impossibilidade de governar.
 
Estes camaleões tentam fazer-nos esquecer que todos os banqueiros são anarquistas: eles não querem governos de nenhum tipo a controla-los, mas querem restringir a governação a simples funções de policiamento do povo em geral, para garantia do seu status quo.
 
Os caminhos para saída deste estado de coisas, passam pela resolução de dois grandes problemas da civilização atual:
  • Como governar com a participação do povo, retirando à classe política o monopólio do acesso ao poder.
  • Como fazer funcionar a economia (a de mercado + a planificada), retirando aos banqueiros o monopólio do controlo do dinheiro.
A solução destes dois problemas permite-nos definir as funções necessárias e suficientes do Estado atual.
Para abordar o problema,  preciso de em primeiro lugar esclarecer os leitores sobre o meu posicionamento em relação às diversas perspetivas existentes nos meios académicos sobre o conceito de Estado.
Entre as noções científicas de Estado que considero mais claras e sintéticas refiro-me à de Max Weber, pois enfatiza a ideia que considero central para tratar o problemas acima citados: “ O Estado é o dono do monopólio da coercividade legal. ” 
Dito por mim de uma maneira mais “matemática” :
“O estado é a entidade que numa sociedade controla de forma estável os operadores de criação, destruição e transformação, que transformam a lei da força em força da lei, sendo por isso o titular máximo de todos os monopólios”
Em publicações anteriores já defini o que é a classe política http://penanet.blogspot.com/2011/05/classe-politica.html  e http://penanet.blogspot.com/2012/10/a-classe-politica-e-alta-classe.html ) e também já apresentei em vários artigos a prova da possibilidade de uma governação participada sem que a classe política detenha o monopólio da representatividade ( http://penanet.blogspot.com/2011/02/sistema-de-decisao-alternativo-ao-da.html   ).
Considero que o SYRISA é um partido político institucionalizado e membro de direito da classe política, que de modo nenhum está apetrechado ideológica e cientificamente para promover qualquer transformação radical na sociedade Grega e muito menos na sociedade europeia globalizada.
À classe política mundial desde chineses a americanos, interessa que os povos europeus estejam domesticados e aceitem sem reservas os seus ditames financeiros. Até hoje não vi ninguém do SYRISA dizer que se pode ter democracia sem o monopólio da representatividade pelos partidos e sem o monopólio da circulação do dinheiro pelos bancos. Antes pelo contrário, parece que querem é ter eles o monopólio do controle dos bancos e logo da emissão e da circulação do dinheiro.  Nesse sentido o SYRISA não acrescenta nada de novo ao panorama grego e europeu. O SYRISA não apresenta um novo modelo de funções para o Estado. Apresenta sim o Estado tal como o conhecemos com menos pintura neoliberal e mais uns remendos vermelhos ou alaranjados, dos socialismos do passado.
O futuro dirá se os laivos de socialismo que perpassam no discurso o na prática do SYRISA darão como resultado a criação de um novo paradigma de estado e sociedade ou simplesmente conseguem perpetuar localmente o velho modo de produção capitalista, criando mais uma ilusão no povo grego de que o socialismo é a única antítese alternativa ao capitalismo.


29 outubro 2014

Para que nos servem os economistas?


Numa entrevista recente na rádio, o Bastonário da Ordem dos Economistas, afirmou publicamente que a economia não é uma ciência exata, pois todos os seus cálculos são previsões, que podem ser desmentidas pela realidade.
No entanto um ramo aparentado do conhecimento: a contabilidade, é uma ciência exata, que apresenta todos os seus resultados com precisão de um relógio suíço,  exceto quando os balanços contabilísticos se referem a empresas do setor financeiro, em que os lucros apurados, não passam de uma simples miragem, motivada pela gula da distribuição de dividendos e prémios de gestão.

Ser a economia uma arte semelhante ao Tarot  ou a um culto religioso feito por xamãs, que mandam chover ou fazer sol na bolsa de valores, até teria a sua graça, se as ações dos doutos economistas não tivessem consequências funestas nos nossos bolsos.
Se a economia não se pauta pela exatidão, então deveríamos olhar para os economistas como uma espécie de adivinhos e não como titulares de grau académico. A sua ciência não se pautando pelo rigor de cálculo,  não passa de mera especulação, senão mesmo de embuste premeditado.

Sendo assim, para que nos servem os economistas?
Esta alta classe de pessoas, pela graça de Deus, arroga-se ao direito a governar as empresas, os serviços públicos e as nações. Empenha-se em interpretar e mesmo reescrever o passado e prognosticar o futuro, ao sabor de cada nova  "teoria" que inventa, criando experimentos no laboratório social da vida, em que nós, os comuns dos mortais, não passamos de meras cobaias que na melhor da hipóteses servem para testar se a folha de cálculo que planifica a nossa austeridade tem algum erro básico de contas.

Essa espécie de seres desumanos, do alto das sua ilustre e soberba ignorância , sacrifica pessoas, massacra nações e aterroriza a humanidade em nome do deus lucro, cujo verbo encarnado nos fala do paraíso dos mercados, através dos textos da sua sagrada escritura revelada ao profeta Milton Friedman.

Apesar de se intitularem neoliberais, estes doutos especialistas em adivinhação, têm uma enorme aptidão para em nome do deus lucro, colaborarem com as mais negras ditaduras económicas ou políticas (1), renegando na prática a liberdade que apregoam nos discursos. Para eles a liberdade é apenas para o capital financeiro eliminar as classes médias e esmagar as classes mais baixas, na sociedade construída segundo sua bitola.

Esses cruzados guardiões da ordem do mercado, aproveitam (e até criam de propósito) as mais duras crises, para com uma política terra queimada, extorquirem e extirparem das sociedades contemporâneas tudo o que o que elas tenham de estado social Keynesiano ou mesmo qualquer  cheiro a socialista.

A sua verdade dita que a raiz de todos os males que afligem as sociedades é o demónio social, esteja ele disfarçado de :
  •  segurança social,
  •  escola pública,
  • “profit sharing” (participação nos lucros ),
  •  responsabilidade social,
  •  educação pública,
  • segurança pública,
  • economia verde
 ou mesmo quando aparece na sua encarnação de Satanás Socialista.   
Eles querem impor “a sua verdade,” nem que tenham de reescrever a realidade pressente ou passada, para condicionar aparecimento do futuro previsto por eles, mesmo que essa previsão seja o fruto de um erro básico de matemática.

A sua verdade é a mesma do “Big Brother”  exposta no livro “1984”.  Vejamos porque é que os ditos economistas fazem a sua guerra para condicionar a humanidade, citando a Wikipédia :

“No livro, Orwell expõe uma teoria da Guerra. Segundo ele, o objetivo da guerra não é vencer o inimigo nem lutar por uma causa. O objetivo da guerra é manter o poder das classes altas, limitando o acesso à educação, à cultura e aos bens materiais das classes baixas. A guerra serve para destruir os bens materiais produzidos pelos pobres e para impedir que eles acumulem cultura e riqueza e se tornem uma ameaça aos poderosos. Assim, um dos lemas do Partido, "guerra é paz", é explicado no livro de Emmanuel Goldstein: "Uma paz verdadeiramente permanente seria o mesmo que a guerra permanente".

Mas  para implementar este tipo de escravatura da era industrial e violar os direitos humanos, já tivemos e temos e teremos os ditadores e os estados totalitários.  
Eles não conseguem explicar o funcionamento do modo de produção capitalista, que tem mais de 200 anos de vida e conviveu ao longo desse tempo com as mais doutas escolas do xamanismo económico.
Eles não conseguem justificar:
  • a inflação,
  • a crise
  • o desemprego
  • a austeridade
  • o crescimento
  • a evolução dos preços
  • o rating dos bancos e dos países
O único futuro que conseguiram "prognosticar" foi o das falcatruas financeiras depois delas terem sido tornadas públicas. Nem sequer conseguiram avisar sobre os perigos dos esquemas dos velhos embustes financeiros tipo pirâmide de Ponzi.


Afinal para é que queremos economistas?