31 outubro 2020

Da Guerra 4

 Já passaram 5 meses desde que o terceiro artigo desta série foi publicada. Na sua parte final escrevi que a humanidade ainda não tinha conseguido identificar o inimigo (aquele que tira vantagem da ação do vírus). 

No presente artigo vou deixar algumas pistas para serem exploradas pelos investigadores na procura do inimigo que nos ataca.

IMPORTANTE: O vírus SARS-COV2 por muito que o odiemos NÃO É O NOSSO INIMIGO!

Tal como o pau, a pedra, a ponta da lança, a seta, a bala ou a bomba atómica, este vírus é apenas a arma e ao que se conhece não tira qualquer benefício das ações contra nós. É uma arma que foi criada ou apenas aproveitada em bruto (como uma pedra que atiramos) por quem o atira contra nós: O INIMIGO (o IN, como dizíamos na altura da "Guerra Colonial" em África).

O nosso inimigo direto nesta epidemia é na realidade o nosso próximo, pois como o vírus não tem pernas, é ele quem o transporta para dentro da nossa esfera de influência.

Exato! Nesta epidemia fica demonstrado até à exaustão da evidência, que o meu maior inimigo está na minha casa, come na minha mesa e até dorme comigo: são a minha mulher e os meus filhos. Portanto é deles que tenho de me defender: da sua imprudência, da sua temeridade, do simples facto de existirem e por isso serem uma possível via para o agente infecioso penetrar nas minhas defesas naturais.

E se atendermos às declarações de especialistas e dos políticos mais honestos, os contágios nesta segunda vaga, são feitos  principalmente no ambiente da casa de família ou em situações de especial relacionamento familiar. E isto quer dizer que os meus filhos e a minha mulher, que são as pessoas que mais amo, se transformaram no meu inimigo e eu transmutei o meu amor em ódio ao ponto de também querer matá-los?

É por não nos termos precavido e esclarecido bem junto dos nossos, que estamos agora a pagar uma fatura elevada em vidas perdidas e em economia destroçada.  Será que ainda estamos a tempo de remediar a situação.? Penso que para agir é sempre tempo. Só que devemos optar sempre por ações esclarecidas ou seja devidamente planeadas, com métodos provados e objetivos claros a atingir. Isto em termos de guerra quer dizer que primeiro temos de  de identificar e caracterizar o inimigo.

Constatamos que o inimigo próximo são mesmo os nossos próximos da nossa espécie. Mas porquê? Porque é que mesmo inconscientemente o meu próximo aceita conspirar contra mim e por contraparte eu contra eles? 

NÃO NOS DEVEMOS ESQUECER QUE OS VIRUS SÃO ARMAS DE NIVEL 3 destinadas a manipular a estrutura de quem atacam e são quase sempre armas de luta entre espécies.

Um processo de especiação ou a divisão de uma espécie em duas, quer sobrevivam ambas ou apenas uma, é até agora um processo aleatório que obedece às regras da seleção natural darwiniana. Primeiro  na aleatoriedade da reprodução aparecem as capacidades e só depois a vida testa a sua viabilidade (adaptação ao contexto.) As características que forem viáveis vão transmitir-se às próximas gerações. 

Os vírus representam sempre um papel muito importante nos processos de especiação pois provocam uma eliminação rápida dos elementos de uma espécie que não lhes sobrevivem. Os sobreviventes podem ter uma ou várias características diferentes da espécie de partida e em poucas gerações essa diferença fica mais marcada se conduz a uma melhor adaptação ao ambiente que os rodeia.

 Nesse sentido o vírus é uma arma da espécie do futuro , usada contra a espécie presente ou de partida. Isto é tão contra intuitivo que até parece inverter o princípio da causalidade, segundo o qual a causa precede sempre a consequência. 

Identificado que está o inimigo dentro da nossa espécie , vamos analisar a possibilidade do inimigo ser de outra espécie.

Se tomarmos em conta os ataques e destruições diretas e indiretas que temos feito às outras espécies , não devemos admirar-nos se a humanidade for considerada o inimigo público número 1 pelos outros compartilhantes deste planeta. 

Se fossemos a votos , garantidamente ganharíamos por larga margem o troféu do "abominável malfeitor do planeta". Nós não atacamos apenas algumas espécies , nós atacamos "reinos" inteiros como o das bactérias. E estamos a fazer-lhes o maior ataque da história do planeta. É pois compreensível que a natureza reaja contra nós com todas as forças. Afinal para o resto dos seres vivos é uma questão de sobrevivência.

Como não sabemos as razões que movem as outras espécies, vamos olhar para a nossa e ver se identificamos aquilo que no nosso comportamento prejudica os outros.

 Toda gente fala das alterações climáticas e se afirma que a principal causa deste flagelo é a atividade humana. À atividade humana no seu todo podemos chamá-la de Pegada Ecológica.  

Já demonstrei numa serie de artigos sobre temas económicos, que tudo o que temos ou usamos tem um custo que é a soma de 3 parcelas : o custo de aquisição; o custo de posse e o custo de reposição das condições anteriores à nossa ação (ou seja o custo de apagar a nossa pegada ecológica).

Também mostrei que desde o seu aparecimento a humanidade se comporta como um caloteiro compulsivo em que a geração atual se '' esquece'' sistematicamente  de pagar a remoção da pegada ecológica, passando essa dívida para as gerações futuras.

Um dos componentes da nossa pegada ecológica é a mobilidade, campo em que ultrapassámos no sec XX, os grandes viajantes do planeta que são as aves. 

Tudo o que seja viajar traz consigo o perigo de exposição a agentes biológicos estranhos, ou seja aumenta fortemente o risco biológico, como se diria em Higiene Saúde e Segurança no Trabalho. 

As aves migratórias  sempre foram os grandes responsáveis pela disseminação de doenças de uns territórios para outros. Mas, como disse antes, a humanidade ultrapassou-as e em muito...

Toda a nossa mobilidade excessiva, derivada da globalização, tornou o preço do a pagar derivado da nossa pegada ecológica incomportável para os recursos da civilização atual. Daí que quando a natureza nos apresentou as faturas, nós entramos em falência e a civilização está a dar sinais de colapso iminente, nestes tempos de pandemia COVID19.

Identificados que estão genericamente os inimigos internos e externos e as razões da sua inimizade, podemos passar agora para os meios de como vencer esta guerra, ou seja de conseguir uma paz que não nos seja muito desfavorável. Isso será o tema dos próximos artigos.

continua...