14 janeiro 2022

Fundamentos de Cosmovisão

Todo o conhecimento , em especial o científico, é baseado em crenças (conceitos ou princípios , que aceitamos sem discussão e para os quais ainda não temos demonstração por falta de dados ou de metodologia , considerando-se evidências em concordância com a "experiência" e o saber atuais, apesar de que a palavra "experiência" não explica coisa alguma) .

Em alguns dos parágrafos estão realçadas certas palavras . Essas palavras correspondem a conceitos que têm de ser vistos e definidos de forma precisa , unívoca, completa e universal, que seja  aceite como base de trabalho por todos os que vão dissertar ou comentar este artigo .
Para o prosseguimento desta dissertação todos conceitos usados são marcados a negrito e são objeto de uma definição que procuro que seja o mais precisa possível, unívoca e universalmente aceite, tanto do ponto de vista e erudito, como do ponto de vista comum. 
Podem ser consultados no capítulo Definições.

A essas crenças chamo Primeiros Princípios ou Axiomas.

É a partir destes princípios que vou construindo a visão do que me rodeia ou que de qualquer modo está acessível aos meus sentidos e ou à minha reflexão.
Para isso faço conjeturas ou construo teorias (demonstrações abstratas de teoremas, ou experiências reais, que permitam verificar ou validar conclusões derivadas dos Axiomas) com coerência interna , que possam explicar o passado , aderir ao presente e enquadrar o que venha a saber no futuro.

Axiomas

Ax1 - Princípio Cartesiano ( cogito ergo sum): "Penso" , então tenho "consciência" da obrigatoriedade da minha existência (a):
-Sou um OBSERVADOR. O Observador tem sensores que são os pontos por onde recolhe informação de si mesmo ou do que o rodeia. 
O Observador regista e mantém em memória os resultados das interações que afetam os seus sensores.
(a) O que não quer dizer que tudo o que penso que existe tenha de ser obrigatoriamente pensante.

Evidência para esta crença: As tecnologias atuais derivadas das Mecânica Quântica

AX2- Princípio da Incerteza: como Observadores, não é possível conhecer ou sentir em simultâneo (segundo os sensores e sistema de referência próprios) para uma dada entidade, os valores de propriedades correlacionadas. Isto significa que existe uma incerteza intrínseca sobre a informação que os observadores podem dispor, sentir ou registar sobre as entidades e a sua evolução, qualquer que seja o sistema de referência usado para registar os valores dos sensores.

Evidência para esta crença: As tecnologias atuais derivadas das Mecânica Quântica

Notas:
Este é o fundamento do facto da informação ser uma categoria com quantidade sempre crescente.
Este princípio também é o fundamento da Liberdade de Opção consagrada como direito universal do homem.

No capítulo Teoremas apresentam-se algumas das muitas e importantes conclusões que se podem retirar deste Axioma

Ax3 - Princípio atomista ou quântico: todas as entidades do nosso Universo são constituídas por um conjunto formado por um número inteiro de blocos construtivos discretos indivisíveis, com propriedades específicas, que interagem entre si e com os das outras entidades que as rodeiam.

Evidência para esta crença:Toda a física conhecida ao nível do mundo microscópico, é baseada na Mecânica Quântica que é dos campos do conhecimento científico mais comprovados experimentalmente, que até hoje tem estado sempre de acordo a "realidade" .

Ax4 - Princípio materialista: Ao conjunto dos blocos construtivos mais asentidades, chama-se Mundo Material ou Universo. que é governado por leis de conservação e de evolução, acessíveis à compreensão do(s) Observador(es).

No nosso universo, aquele que está diretamente acessível aos nosso sensores, podemos agrupar e classificar todos os blocos construtivos e todas as entidades em três grandes categorias de topo:

- Energia
- Matéria
- Informação

Ax5- Princípio da unicidade das interações: No universo as entidades interagem sempre e só por intermédio de fluxos de energia, quer a interação seja predominantemente troca de energia, quer seja troca de matéria ou apenas troca de informação.

Ax6 - Leis de conservação e de evolução que, para os Observadores, regulam a evolução das  categorias Matéria, Energia e Informação:

Lei 1 - Lei da equivalência (Hipótese de VOPSON – LANDAUER):
Qualquer entidade, de qualquer categoria, tem sempre expressão num valor equivalente de energia.

A matéria a energia e a informação podem exprimir-se sempre em função das outras duas.
E=mcˆ2; E=kI (I-em bits)

Lei 2 - Lei da Conservação da Energia: O conjunto matéria+energia tem um valor numérico inalterável, dentro do nosso horizonte de conhecimentos.
A energia só pode ser transformada ou transmitida.

Lei 3 - Lei do poliformismo ou multi-dimensionalidade da energia: A energia apresenta-se sobre várias formas ou pode descrever-se em simbologia matemática por campos distintos, sendo os campos primários correspondentes aos quatro campos elementares fundamentais, associados aos blocos construtores do nosso universo : gravítico , eletromagnético, fraco e forte (estas duas últimas atuam apenas no núcleo do átomo).

Além destes há muitos mais campos de energia como por exemplo: 
- energia térmica,
- energia potencial,
- energia cinética, 
- energia química ,
- energia estrutural, 
- etc.
As várias formas de energia são normalmente interconvertíveis sem perdas, exceto a  conversão em na forma de calor que só parcialmente se pode converter noutras formas de energia.

Lei 4 -Lei do Crescimento da Entropia: A informação necessária para representar todas as entidades, blocos e interações é sempre crescente . ( 2º Princípio da Termodinâmica). Deriva diretamente do Princípio da Incerteza.

Lei 5 - Lei da conservação da carga, paridade e momento: Além da conservação genérica da energia , no universo verifica-se que além de conservarem o valor total da energia,  as suas transformações, também conservam algumas das propriedades do campo original como a carga elétrica, o momento e a paridade.

Lei 6 - Lei da causalidade: Todas as mudanças numa entidade ou seja todas as variações da informação que descreve uma entidade resultam de pelo menos uma causa ou seja pelo menos de uma interação obrigatória entre entidades ou interação de estados da mesma entidade.

A é causa de B se Não A implica Não B, qualquer que seja a "distância" entre eles medida em qualquer sistema de referência.Isto significa que a interação causal é não local.
Normalmente o saber tradicional e o “mainstream” da ciência consideram que a existência das causas é anterior à das consequências. Ou seja, o presente e o futuro são condicionados pelo passado segundo o sistema de referência dos Observadores.

A lei da causalidade não permite confirmar este facto, pois em entidades cibernéticas os estados futuros condicionam os estados anteriores. Isto é contra-intuitivo, mas é usado atualmente em muita da tecnologia comum.
Também se verifica experimentalmente que ao nível das interações das partículas subatómicas, onde se aplica a mecânica quântica, de forma direta e com total sucesso, o estado final condiciona os estados anteriores viáveis , dentro do nosso sistema de referência. Ou seja, o "futuro" pode determinar o "passado ".

É célebre a experiência designada por "quantun eraser" (apagador quântico).


Créditos a: Vide trabalho de Robert Nemiroff na apresentaçao consultada em 24'011'2022
https://slidetodoc.com/delayed-choice-quantum-eraser-lab-version-by-robert/


Teoremas

Teorema T1 - No universo há pelo menos uma entidade pensante consciente à qual chamo
Observador.
Demonstração: Básica por redução ao absurdo

Teorema T2 - O Observador é obrigatoriamente uma máquina que pretende controlar os seus efeitos ou seja é uma Máquina Cibernética de grau 8/9.
Demonstração: Por definição o observador interage com outras entidades através dos seus sensores que registam a variação de uma dada propriedade e regista sequencialmente em tabelas (“frames”) os resultados dessas interações. A essa sequência chamo tempo.
Quando os mesmos valores dos mesmos sensores estão presentes numa determinada sequência de registos diz-se que pertencem à mesma entidade .
Diz-se duração ou tempo de vida dessa entidade a ocupação dos “frames” dessa sequência . (O observador cria o tempo e serve-se dele como elemento enquadrador ou referencial, de uma dimensão com um só sentido, nas simulações que faz da realidade exterior .)
Quando os mesmos valores dos sensores de uma determinada propriedade aparecem em diferentes sensores no mesmo “frame”, diz-se que a entidade observada ocupa um certo espaço.
Quando os valores dos sensores de uma determinada propriedade mudam para outro grupo grupo de sensores em “frames” contíguos ou diferentes diz-se que que a entidade observada mudou de lugar ou tem outras coordenadas de espaço.
(O observador cria o espaço e serve-se dele como elemento enquadrador ou referencial, com 3 dimensões ortogonais de dois sentidos (ou seja, sem sentido preferencial) nas simulações que ele faz da realidade exterior .)
O simulador criado pelo observador procura "imitar" a realidade por um processo adaptativo por comparação permanente entre o valor obtido e o valor esperado. Ora isso corresponde às caraterísticas de uma máquina cibernética segundo a definição adotada por Luís Ferreira.

Teorema T3 - Para o observador existem outras entidades além dele, e ele reconhece a sua
individualidade e as individualidades das outras entidades, através das interações registadas nos seus sensores.
Demonstração:  Ao conjunto das observações disponíveis na memória do observador chama-se " a realidade", que é apenas um modelo de funcionamento interno que pretende representar simbolicamente o funcionamento do mundo exterior. Por construção o observador distingue os seus sensores que interagem com o mundo exterior daqueles que registam os estados interiores.
Se os valores dos registos das interações de um grupo de sensores com o exterior se mantém constante ao longo de vários “frames” o observador atribui-os a uma entidade especifica exterior.

Teorema T4 - Não existe nenhum conjunto finito de axiomas de onde se possam derivar todos os conhecimentos, qualquer que seja o método ou recursos usados . 
Ou seja:
- Não há nem é possível uma Teoria do Tudo. 
- Não há um Algoritmo Mestre 
que englobe como casos particulares todos os conhecimentos atuais passados presentes e futuros.
Demonstração: Se fosse possível uma forma de comprimir toda a informação num conjunto finito de procedimentos, seria possível conhecer tudo, por inferência lógica. Ora isso invalidaria:
- o segundo princípio da Termodinâmica,
- o Princípio da Incerteza, 
- a definição da seta do tempo que aponta sempre o caminho do futuro sem retorno.
Tudo seria pré-determinado e imutável. 
Pelo contrário a experiência mostra-nos que :
"Todo o Mundo é composto de mudança..(1) " Logo a hipótese é uma contradição ou absurdo e como tal, inválida.
(1) Luís Vaz de Camões – poeta maior Português -sec XVI no poema “ mudam-se os tempos mudam-se as vontades" 
https://www.escritas.org/pt/t/2513/mudam-se-os-tempos-mudam-se-as-vontades


O Espaço e o Tempo

Como se viu anteriormente o Observador cria o espaço e o tempo para enquadrar os dados das suas interações num sistema de referencial.

Há duas espécies de espaço e de tempo: 
- o Espaço e o Tempo Topológicos criados pela mente dos seres humanos, cuja propriedade comum é serem eternamente infinitos ( de -infinito a + infinito) e contínuos. 
A sua "existência" é uma abstração cómoda para a matemática usada na descrição do Universo baseada na Teoria da Relatividade.
- o espaço e o tempo criados por Processos Físicos, que não são eternos nem"contínuos" e foram criados no BIG BANG, pelo processo físico que se apresenta abaixo.

O Espaço Topológico: segundo a conceção dos adeptos do BIG BANG o espaço existe independdente do Universo e associado ao Tempo. Einstein e os seus seguidores na teoria da relatividade chamaram-lhe o tecido espaço-tempo.
Tem três dimensões ortogonais como vias de dois sentidos e o tempo, ortogonal às dimensões espaciais, como via de um só sentido. 
O Espaço-Tempo é encurvado pela Matéria criando a Gravidade.
Não é compatível com a Mecânica Quântica. Só serve para descrever as entidades macroscópicas onde tem sucesso comprovado até agora.
Quando aplicado ao nível quântico dá origem a "coisas estranhas " como:
- o entrelaçamento quântico, ("entanglement" ) desaparecendo das equações que descrevem essa realidade.
- o efeito túnel,
No "efeito túnel" as partículas quânticas "perfuram" barreiras energéticas sem aquisição ou perda de mais energia, teletransportando-se instantaneamente de um lado para o outro lado da barreira. O caso mais célebre é a radiaçao de hawking que é o mecanismo que consegue fazer escapar energia de dentro dos buracos negros.
No entrelaçamento quântico-"entanglement" as partículas entrelaçadas parecem sentir-se mutuamente de forma instantânea, mesmo que estejam separados por distâncias inter-galáticas, em extremos distintos do universo.
Este facto até parece quebrar a lei da constância da velocidade da luz e da transmissão de informação massa e energia, no vácuo.
Outra consequência para explicar o atual movimento das galáxias é a necessidade de introduzir coisas como:
- energia negativa e escura
- matéria escura
Também aparecem situações sem explicação sobre o BIG BANG e primeiros momentos a seguir a este evento singular, que segundo o “mainstream” da ciência atual deu origem ao nosso universo.
Um dos factos que se comprova que existiu, mas que a ciência atual não encontrou a respetiva explicação física é o período inflacionário ocorrido entre 10^ -36 e 10 ^ -32 segundos, após aquilo que se pode chamar o momento inicial. Nesse curto período, o o raio do espaço cresceu 10 ^26 vezes e em volume 10 ^76 vezes até ao tamanho de aproximadamente 300 mil anos-luz.


NASA/WMAP Science Team •Public domain
Representação artística da evolução do tamanho do universo (eixo vertical) em função do tempo (eixo horizontal). Nessa representação, o período inflacionário é responsável pelo rápido aumento do tamanho do universo à esquerda do diagrama.

Segundo as teorias inflacionárias derivadas da Teoria da Grande Unificação de Alan Gut sendo a primeira, a Teoria Freidman-Lemaitre-Robertson-Walker com algumas correções posteriores, no tecido espaço-tempo, o espaço expandiu-se de forma quase isotrópica, sem afetar a dimensão do tempo.
Teorias alternativas, como a do português João Magueijo e do alemão Andreas Albretch, consideram que a velocidade da luz não foi sempre constante e que no início da era da inflação era pelo menos 60 vezes mais rápida.
Todas essas teorias tentam compatibilizar as observações experimentais mais recentes, que mostram um universo com algum grau de anisotropia, com a sua descrição baseada no referencial espaço-tempo topológicos, que teoricamente deveria dar um universo isotrópico

De acordo com a minha COSMOVISÃO O ESPAÇO E O TEMPO FÍSICOS PROVÊM DA REALIDADE FÍSICA BASEADA NOS PRINCÍPIOS ATOMISTA E DA INCERTEZA, QUE SUPORTAM A "TEORIA QUÂNTICA" .

Apresento a seguir a conjetura que apresenta o processo físico que criou o Espaço e o Tempo que deriva diretamente dos Primeiros Princípios que suportam a minha Cosmovisão.

Processo físico de criação do Espaço e do Tempo.

1 - SINGULARIDADE por definição é única (a única coisa que existe) no momento zero.
2 - Admitimos que na SINGULARIDADE todas as entidadades que obedecem aos princípios de conservação do nosso universo esavam concentradas dentro de um horizonte de conhecimentos. O u seja, toda a energia e momento que hoje estão presentes no Universo para nós, estavam concentradas numa única entidade: a SINGULARIDADE.
3 - A SINGULARIDADE obedece ao Princípio da Incerteza
4 - A SINGULARIDADE é não local, existe sobre a forma de probabilidades de aparecimento e desaparecimento de partículas virtuais do campo da SINGULARIDADE.
5 - A SINGULARIDADE não interage com nada nem ninguém. Logo, para ela não há tempo nem espaço físicos.

6 - A "criação" do espaço 

Contudo, todas as partículas decaem. Ou seja, dividem-se em pelo menos duas partículas menores. E isso acontece com uma frequência que é proporcional à energia e momento totais contidos no campo da singularidade. Isto passou-se também com a SINGULARIDADE que deu origem ao nosso universo
Isto pode acontecer, quando por mero acaso (obedecendo ao Princípio da Incerteza) uma partícula e a sua antipartícula virtual não aparecem do mesmo lado do horizonte de acontecimentos. O que significa que uma regressa ao "interior" da singularidade, à “espuma” das partículas virtuais e a outra materializa-se assumindo uma existência autónoma, criando do nada o espaço entre ela ea singularidade. Também pode acontecer que por mero acaso, (obedecendo ao Princípio da Incerteza), uma partícula e a sua antipartícula se materializem no lado de fora do horizonte de acontecimentos obedecendo à lei da conservação da carga paridade e momento, ou seja seguindo em direções distintas (simetria). Isso cria espaço entre as duas e entre cada uma e a singularidade,  pois que qualquer duas ou mais particulas, só podem interagir através da troca de energia, matéria ou informação ou seja através de bosões. Isso que significa que as interações estão sujeitas ao limite máximo da velocidade da luz e issso significa percorrer espaço. E o processo continua com as partículas resultantes do primeiro decaimento, até que as particulas resultantes tenham uma energia suficiente baixa (que diminui a probabilidade do seu campo  materializar partículas) e uma uma vida longa ou seja sejam muito estáveis.
Qualquer novo decaimento cria instantaneamente mais espaço, entre cada partícula que se materializa e as demais partículas já materializadas. Isto dá-se numa reação em cadeia, que evolui de forma exponencial, com uma taxa de crescimento resultante do tempo de vida, do número de decaimentos e da energia de cada nova partícula. Temos então cada nova partícula com uma estabilidade superior à anterior.
Nesta fase como a criação de espaço dá-se a uma velocidade superior à da luz e basicamente não há interação entre as partículas que permita homogeneizar a temperatura. O processo continua até que chegamos a um valor de energia das partículas relativamente baixo, (duração estável mais longa), o que faz com que a criação de espaço seja mais pequena, tanto em número de eventos, como na distância a que se materializa cada nova partícula. Ora a criação de espaço é um fenómeno instantâneo, porque não local. O que significa que as partículas não se podem influenciar mutuamente, porque as interações só podem dar-se entre bosões do mesmo campo. Ou seja, as interações acontecem à velocidade da luz. Desse modo, na fase de inflação inicicial, não há meio de homogeneizar as temperaturas nos diversos pontos do espaço em criação.
A interação vai acontecer sempre atrasada. Ou seja, só se nota no futuro, quando a criação de espaço fizer com que este cresça a velocidade inferior à da propagação da luz. Isto explica a anisotropia intrínseca que vemos no rasto deixado pelo processo na radiação de fundo do universo. Quando este adquiriu um espaço de cerca de 350 mil anos-luz, as partículas já tinham uma energia suficientemente baixa para ser mensurável pelos métodos atuais, constituindo um plasma de Quarks Gluões e Eletrões, cujas interações se davam a uma temperatura de centenas de milhões de graus, sendo opaco aos fotões de alta energia do campo eletromagnético. Ao baixar a temperatura começou dar-se a núcleo-síntese. Aconteceu uma espécie de condensação do plasma ou seja a temperatura diminuiu drasticamente desaparecendo o plasma de Quarks Gluões e Eletrões e o universo tornou-se transparente à luz. 
Está apresentado e explicado o processo de inflação do espaço, que foi criado em cada ponto de dentro para fora, não como uma explosão, mas sim como um processo de crescimento comum, sem necessitar de nenhum campo do Inflatão – a partícula que tem a suposta propriedade particular de inflar (esticar) as dimensões do o espaço, sem afetar a do tempo, como o proposto pelo “mainstream” dos físicos.

7 - Criação do tempo
Na fase de inflação inicial, não faz sentido falar-se de tempo dado que as partículas criadas não conseguem interagir umas com as outras: são "invisíveis" entre si.
O tempo nasce muito mais tarde quando termina a inflação, e a expansão do espaço se dá a uma velocidade inferior à da luz, permitindo que haja interações entre entidades do universo. 
As  primeiras partículas  de matéria a interagirem entre si são os leptões de massa baixa : os neutrinos. Depois os bosões com massa, seguindo-se os eletrões e por último as partículas mais "pesadas" os quarks e os protões.
O tempo é uma abstração criada pelos Observadores derivado do registo sequencial das interações na sua memória. Portanto o tempo é apenas topológico, não tem medida nem representação física possível. Não se pode isolar um pedaço de tempo e fazer dele o termo de comparação para as medidas. 
O método que se usa para definir o Tempo Universal Corrdenado e o padrão de Tempo usado pela ciência e pela indústria, é a frequência de uma radiação eletromagnética do césio 133 correspondente à duração de 9 192 631 770 períodos da radiação correspondente à transição entre os dois níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo de cásio 133.
O "tempo físico" é o tempo topológico (abstração humana) que os bosões demoram a percorrer o espaço entre essas mesmas partículas ou seja para completar a interação isto é para que as partículas sejam visíveis umas pelas outras. O seu valor é dado pela relação relação entre (a velocidade de expansão do espaço+mais a velocidade  média do movimento cinético das partículas dado pela sua temperatura) e a velocidade da luz . 


Definições

Definição: Entidade: é todo o elemento do universo, observável ou concebível que mantém estáveis regras de evolução e conservação da informação usada para o descrever.

Definição: Observador: É a entidade que regista interações , ou seja que modifica os seus estados internos, em função das trocas de energia matéria ou informação que sofre.
O observador possui sensores que detetam a variação de propriedades das entidades com que interage. Na generalidade dos casos existe uma pluralidade de sensores por cada tipo de propriedade, para a qual possui sensores.
O Observador é uma "máquina de estados" que evolui tendo como objetivo o controlo dos seus efeitos , no limite é uma Máquina Cibernética.

Definição: Realidade: é o conjunto dos registos sobre as interações nos sensores, gravados na memória do Observador, acerca das entidades às quais tem acesso.
Ou seja, é o Observador quem cria e mantém a realidade. A realidade é constituída por dados e modelos de funcionamento que supostamente representam as leis que a governam , ou seja as regras extraídas dos dados por meio dos métodos da Lógica.

Definição: Universo é o conjunto das realidades que se descrevem pelas mesmas Leis da Física. Ou seja ,que obedecem às mesmas Leis de conservação e evolução.

Definição: Energia: é tudo aquilo que é causa (ou consequência) da mudança observável e registável pelos observadores. (mudança na matéria, na composição, no estado energético ou na informação - posição, estrutura, etc – com que o observador representa as entidades).

Definição: Força: - é sinónimo de fluxo de energia numa interação entre duas entidades , através da mesma dimensão ou campo.
As entidades que interagem apenas por blocos (quanta) de energia e informação chamam-se Bosões. São as partículas que "carregam forças".
Os Bosões, medeiam as interações transportando energia.

Definição: Matéria : é tudo aquilo que  no Universo tem massa e cria e ocupa um 'espaço' exclusivo.
Isto é: a que se pode atribuir um local único, no registo das suas interações, num sistema de referência.
Ou seja, existem entidades cujos blocos constituintes, não podem ter todas as suas propriedades com o mesmo valor (Princípio da exclusão de Pauli).
Além disso estas partículas interagem com um campo que permeia todo o espaço físico do Universo cujo bosão - partícula carregadora de força: o bosão de Higgs, lhes confere massa (que é a causa da curvatura no espaço-tempo, teorizada por Albert Einstein, que implica que os corpos com massa sempre se atraiam), e as impede de deslocar a velocidades iguais ou superiores à da luz no “vácuo”.
As entidades constituintes da matéria são os fermiões.

Definição: -Informação: é tudo aquilo que o Observador usa para representar e descrever a mudança sentida nas interações e para identificar em memória as entidades.
Ou seja , é tudo aquilo que representa uma mudança de estado pelo menos numa das partes do Observador. Corresponde ao Log2(do número de estados alterados no observador.). Exprime-se em Bit. É também a menor quantidade de informação possível, é o “quanta” ou bloco construtivo das unidades da categoria informação
É o interveniente diretamente mensurável, numa interação entre entre elementos do nosso Universo.

Há dois tipos de informação:
- A informação simples ou dados: que corresponde aos registos que os observadores mantêm nas tabelas (frames) memorizadas, como resultados das interações com o seu exterior ou com os processos interiores como os processos de raciocínio, pensamento e consciência.
- A informação atuante ou instrutiva: que corresponde a uma receita (programa, procedimento, instruções  ou algoritmo) para produzir ou controlar efeitos ou ações dos observadores ou de entidades externas, quando utilizada (lida e processada) por observadores ou por entidades (ou partes de entidade: órgãos ou máquinas) possuidoras de capacidades cibernéticas de homeostato ou multiestato.
A informação instrutiva (atuante) é informação capaz de cumprir um desígnio ou objetivo.
Um caso particular de informação instrutiva é a informação contida no ADN dos seres vivos.
A VIDA no nosso universo se definida nos termos de propostos por Humberto Maturana ( 2 ) como organização de entidades de matéria com "autopoiese" (capacidade de criação das suas partes a partir de recursos próprios de informação e energéticos do meio envolvente ) baseada na acumulação de informação instrutiva por um processo de aprendizagem contínua, não é contingente mas sim um processo necessário, no cumprimento da lei de maximização da entropia global.
(2) Vide: https://pt.wikipedia.org/wiki/Humberto_Maturana

O Observador executa três classes de operações ou manipulações com Informação:
- Raciocínio
- Pensamento
- Consciencialização

Define-se por raciocínio: a operação de assumir um determinado estado de saída, como resultado obrigatório de operações lógicas (como a comparação) oriundas dos dados dos sensores de entrada. . Raciocínio implica escolha. No nosso Universo o que a natureza escolhe é o nível mais baixo de energia possível para uma entidade ou para a globalidade das entidades. Ou ainda estado que possibilite um mais rápido aumento global da entropia.

Define-se por pensamento: o processo de atingir um determinado estado de saída, através de sequências de raciocínios, em que pelo menos um dos termos de entrada (na comparação) é a diferença (ou parte dela) entre o valor atual da saída e um valor de referência: um objetivo ou desígnio ou obrigação. Ou seja um processo que usa uma função retroação para controlo do estado de saída.

Pensamento inteligente: define-se como o pensamento cuja função de retroação se modifica (adapta) através da experiência acumulada em memória. Ou seja, modifica-se por intermédio de aprendizagem automática.

Definem-se como consciência: o conjunto dos raciocínios e pensamentos, aplicado em tempo real, a um conjunto de processos de pensamento ativos na memória de trabalho dos Observadores, considerando-os como dados de entrada .

Definição: Tempo: Por definição o Observador interage com outras entidades através dos seus sensores que registam a variação de uma dada propriedade e regista sequencialmente em tabelas (frames) os resultados dessas interações. A essa sequência chamo tempo.
Quando os mesmos valores dos mesmos sensores estão presentes numa determinada sequência de registos diz-se que pertencem à mesma entidade .
Diz-se duração ou tempo de vida dessa entidade a ocupação dos “frames” dessa sequência . 
(O observador cria o tempo e serve-se dele como elemento enquadrador e referencial nas simulações que faz da realidade exterior .) Diz-se que a entidade observada tem uma certa duração ou seja , ocupa um certo tempo .

Definição : Espaço: Quando os valores dos sensores de uma determinada propriedade mudam para outro grupo. de sensores em “frames” contíguos ou diferentes diz-se que que a entidade observada mudou de lugar ou tem outras coordenadas de espaço
(O observador cria o espaço e serve-se dele como elemento enquadrador com 3 dimensões ortogonais, nas simulações que ele faz da realidade exterior .)

Definição: Simulador de realidade: Ao conjunto de toda a informação mais o sistema de referência ESPAÇO-TEMPO chamamos REALIDADE.
O simulador criado pelo Observador procura "imitar" a realidade por um processo adaptativo por comparação permanente entre o valor obtido e o valor esperado.

07 janeiro 2022

Schrodinger 5 – A era da magia

 Schrodinger 5 – A era da magia

Contto escrito para que os gatos e as crianças, mantenham viva magia e o sonho  que " comanda a vida enquanto o mundo pula e avança como bola colorida entre as maos de uma criança ", como escreveu o poeta cientista  (Romulo de Carvalho) - Antonio Gedeao  : - A Pedra FilosofaL 

Enquanto acabava de ler a “ Alice no País das Maravilhas” para a minha priminha mais nova, pela qual tive sempre um carinho especial, apareceu o Schrodinger, mais uma vez vindo do nada .

 “-Trouxeste o Cheshire?” – perguntou ela dirigindo-se ao gato que saltou para as minhas pernas e lhe respondeu: “-Está aí mesmo ao teu lado! Ainda não o viste?”

A pequenita gritou: “-Cheshire!” - e continuou: “- Tive tantas saudades tuas! Quero ir contigo para o outro lado do espelho, para ver a Alice!” . O gato pareceu ter compreendido as suas palavras porque no instante seguinte estávamos todos no Pais das Maravilhas. Nesse mundo, o espelho que aí existia, mostrava agora o meu quarto vazio.

“- Schrodinger! Como é que fizeram isto? Estamos num mundo real ou é a realidade virtual de um jogo?” perguntei olhando para todos os lados espantado, enquanto a minha prima brincava despreocupada com o Homem de Lata, sem se importar com o cenário, trocado com “O feiticeiro de Oz”.

Schrodinger olhou-me com ar sério e respondeu:” – Se a realidade é aquilo que tu sentes, então deste lado do espelho, é tudo tão real como no teu mundo!”. Não percebi o que é que ele queria dizer e por isso insisti: “- Mas isto é mesmo real ou é só um jogo mágico em 3D? “  Não obtive resposta e então perguntei: “ -Como é que vocês conseguem fazer isto?”

Schrodinger fez uma pausa e depois falou. Deve ter estado a conferenciar com o Cheshire.

“ – Sabes, nós, os gatos, já vivemos na era da magia. Para nós a maior parte do universo é mágico, embora no teu mundo ainda achem que não”. Continuei sem saber se estávamos ou não dentro de um jogo. 

Mas fosse o que fosse, a minha prima estava a divertir-se muito. “ Olha ! Está ali o leão sem coração! Vamos brincar com ele!”. E o gato com o seu eterno sorriso, saltou de imediato para as costas de um leão mais dócil do que qualquer bichano, que não se dava conta  de estar na estória errada. Schrodinger  imitou-o e chamou-me enquanto a minha priminha voava, qual super-homem, para junto do seu gato.

Fiquei mais uma vez espantado sem saber como ela conseguiu esse feito e comecei a caminhar na direção do leão. Estranhamente parecia que não saía do meu lugar, pois que, por mais que andasse, o leão estava sempre à mesma distância. Assustei-me e gritei: “ – Schrodiiiiinger! Socorro ! Estou preso! Não consigo sair do sítio!” O meu grito foi tão forte que deve ter passado para o mundo real, porque o espelho mostrou a porta do quarto vazio a abrir-se e a minha mãe a entrar e a resmungar: ”Diabo de miúdos! Sempre a esconder-se e a assustar-me com partidas! “  e em seguida mais alto: “ – Meninos! Eu sei que vocês estão por aí escondidos! Não vale pregar sustos! Se não aparecerem já, não vai haver lanche!” Como não obteve resposta fechou a porta a murmurar: “ Danados de miúdos!” sempre a esconder-se debaixo do meu nariz e eu nunca os vejo!” . Sorri perante tal desabafo e apeteceu-me aparecer  e assusta-la. Só que não sabia como fazer isso. Estava dentro do lado mágico do espelho e, ainda por cima, preso no mesmo lugar, dentro de uma jaula com paredes invisíveis. O Schrodinger do alto da garupa do leão olhava-me com ar divertido. Comecei a ficar de veras aborrecido com a situação em que me meteram e vociferei: “-Schrodinger isso não se faz! Sequestraste-nos deste lado do espelho e nem sequer consigo ir para junto de ti! Liberta-me faz favor!” . 

O meu gato respondeu-me de um modo enigmático: “- A tua prisão só tem muros para o pensamento! Liberta a tua imaginação e voa para as costas do leão!” 

Tentei fazer o que ele pedia e saltei para tentar voar, mas caí estatelado no meio do chão, envergonhado perante as gargalhadas da minha prima. 

“- Pareces um bébé que não sabe andar!” disse a minha priminha e de seguida voou da garupa do leão até junto de mim, enquanto eu a olhava boquiaberto. Deu-me a mão e, para meu espanto, senti-me levantar suavemente e voar para as costas da dócil fera. 

Para mim, o que nos estava a acontecer era um profundo  mistério, embora para a minha priminha tudo parecesse natural, a avaliar pelo à-vontade com que encarava todas estas estranhas situações em que nos víamos envolvidos.

“- Cheshire! Ainda não vi a Alice! Onde é que ela está? “ - perguntou a menina com ar muito sério. Como por magia, começamos a ouvir um cantarolar. Ao longe, apareceu a Alice a caminhar no campo de flores, vindo na nossa direção a dançar, com mariposas a esvoaçar à sua volta. No céu, o sol desenhava um arco  íris de cores brilhantes que pintava em tons de alegria toda aquela paisagem mágica. Sentia-me leve como o ar e desejei poder  agarrar o arco íris para guardar um bocadinho da sua luz como recordação. Pensei então: “- Estou a ficar outra vez menino, com o pensamento livre como o vento”. 

E deu-se o milagre! Em resposta ao meu desejo, senti-me levantar suavemente no ar,  voando como uma pena impulsionada por um brisa suave, em direção aos cristais multicolores do arco- da-aliança. Lá em baixo, na terra, tudo ficava cada vez mais pequenino. A Alice, o homem de lata, o leão , a minha priminha e os gatos pareciam formigas na paisagem e já nem sequer conseguia distinguir as borboletas.

No instante seguinte a este estranho pensamento, senti-me envolvido por um enxame de mariposas enormes a agitar as asas que brilhavam, arrancando da luz do sol, as cores do arco íris. Senti-me verdadeiramente dentro de um conto mágico e pensei: “ – Quantas serão as crianças da terra que viram que o arco-íris é formado por milhões de mariposas que dançam por cima das nuvens, roubando da luz do sol a poeira de todas as cores, com que polvilham as suas asas e iluminam os nossos sonhos?

Quis partilhar esta maravilha com a menina e os gatos. Neste mundo do espelho os meus desejos eram ordens, no instante seguinte, estavam todos ao meu lado a contemplar a dança das mariposas, que acompanhavam os seus passos com “ A dança das fadas do açúcar “, tocada em instrumentos feitos de cristais de luz.